CAMBOINHAS
 
 
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Área: 2,84 km2
População: 2863 habitantes (IBGE 2000)

Camboinhas localiza-se em parte às margens da Lagoa de Itaipu e em contato com o Oceano Atlântico, limitando-se também com Piratininga e Itaipu. O nome do bairro originou-se de episódio envolvendo dois navios nas águas oceânicas em frente ao bairro. Na década de 50 um deles encalhou na areia, o Camboinhas, e para socorrê-lo foi enviado um outro navio que acabou afundando em frente a praia no esforço de desencalhar o primeiro. Do Camboinhas ainda resta enterrada na areia da praia, visível na maré baixa, a espinha dorsal do casco. Placas no local alertam aos banhistas para o perigo dos restos do encalhe e do naufrágio.

Na parte em contato com o Oceano, o bairro possuía perfil geomorfológico tico de beira-mar. Praia, dunas arenosas e vegetação de restinga. Mas no final dos anos setenta, a partir de 1978, verdadeiro furacão varreu Camboinhas — o projeto de loteamento conduzido pela Veplan, empresa imobiliária sediada no Rio de Janeiro.

A praia de Camboinhas foi cercada com arame farpado e a restinga e as dunas, onde existiam sítios arqueológicos e sambaquis, foram aplainadas a trator para facilitar o parcelamento e a demarcação dos lotes. As praias de Camboinhas e de Itaipu, que formavam uma única paisagem, foram separadas com a escavação de canal permanente, protegido por pedras, para acessar a marina que seria construída ao lado do apart-hotel erguido na restinga. A marina nunca existiu mas o canal permanente quebrou o ciclo natural de lagoa de arrebentação que Itaipú tinha — a de romper a sua barra arenosa, ligando-se ao mar, na época das chuvas. Este processo, que se repetia anualmente, permitia que os cardumes saíssem do mar, subissem a correnteza e desovassem no interior da lagoa, de águas calmas e protegidas, perpetuando espécies.

Com o beneplácito dos governos municipal, estadual e federal da época — final da ditadura militar — a Veplan Imobiliária não só rompeu o ciclo natural de renovação das águas e das espécies da lagoa de Itaipu, como também dragou o seu fundo — acarretando consequências trágicas para a vizinha Lagoa de Piratininga.

A dragagem teve o objetivo aumentar a faixa de areia próxima ao mar, a mais valorizada do empreendimento imobiliário; e facilitar o acesso de barcos de grande calado à marina do apart-hotel, marina que nunca saiu do papel.

A alteração do ecossistema continua a causar danos para as lagoas de Itaipu e de Piratininga, esta ligada a de Itaipu pelo canal de Camboatá e que vive permanente processo de assoreamento que se não for detido resultará na sua completa extinção. Por causa do desnível provocado pela dragagem do fundo da lagoa de Itaipu, as águas da lagoa de Piratininga sangram permanentemente para a de Itaipu e, desta, para o mar. O processo só se inverte na maré alta, insuficiente para renovar as águas da lagoa de Piratininga que, pouco a pouco, está desaparecendo e tendo as suas margens ocupadas por posseiros de todos os níveis e classes sociais.

A interrupção do ciclo natural das lagoas de Piratininga e de Itaipu devido a ação da Veplan Imobiliária é um problema ainda a ser solucionado.

No outro extremo de Camboinhas, partindo do canal artificial, vamos encontrar um costão quase abrupto, onde semi-oculta está a praia do Sossego que devido ao difícil acesso, preservou durante muito tempo a sua vegetação natural de restinga.

Da mesma forma que seus vizinhos, Camboinhas foi habitado por comunidades indígenas praticantes da pesca. Os portugueses que aí se estabeleceram também a praticavam. Somente muitos anos depois esta região iniciou seu processo de urbanização, a princípio apenas através do surgimento de residências de veraneio; posteriormente foi assumindo um padrão mais residencial, caracterizado por construções de padrão médio e alto. Deste modo, o bairro transformou-se num grande condomínio residencial horizontal.

Seus moradores organizaram-se com o objetivo de resguardar os equipamentos e serviços do local, inclusive criando a SOPRECAM (Sociedade Pró-Preservação Urbanística e Ecológica de Camboinhas), através da qual tomaram para si a tarefa de gerenciamento do bairro. Esta entidade funciona de tal forma hoje, que sua organização permite administrar e manter os serviços de abastecimento de água, instalação sanitária, reforço de segurança interna e até mesmo conservação das vias públicas, praças e jardins, dentre outros serviços.

Fonte: Niterói-Bairros - Secretaria Municipal de Desenvolvimento, Ciência e Tecnologia de Niterói - 1991




Publicado em 28/06/2013







ÍNDICE DOS BAIRROS DE NITERÓI

REGIÃO DA BAÍA REGIÃO NORTE REGIÃO PENDOTIBA REGIÃO LESTE
Ponta D'Areia Ilha da Conceição Ititioca Muriqui
Centro Barreto Largo da Batalha Rio do Ouro
São Domingos Santana Maceió Várzea das Moças
Gragoatá São Lourenço Sapê
Boa Viagem Engenhoca Badu REGIÃO OCEÂNICA
Ingá Fonseca Cantagalo Jardim Imbuí
Morro do Estado Cubango Maria Paula Piratininga
Icaraí Tenente jardim Matapaca Cafubá
Fátima Viçoso Jardim Vila Progresso Jacaré
Pé Pequeno Baldeador Santo Antônio
Santa Rosa Caramujo Camboinhas
Vital Brazil Santa Bárbara Serra Grande
Viradouro Maravista
São Francisco Itaipu
Cachoeira Engenho do Mato
Charitas Itacoatiara
Jurujuba





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