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  HILDA CAMPOFIORITO (1901-1997)
 
 
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Hilda Helena Eisenlohr Campofiorito nasceu na rua Conde de Bomfim, no bairro da Tijuca, Rio de Janeiro em 3 de agosto de 1901 e começou a pintar aos dezoito anos. Além da pintura, Hilda, ou HEC, como costumava assinar suas obras, cultivou outras expressões artísticas, como decoração de cerâmica, escultura, pintura em tecidos, mosaicos, ilustração gráfica, etc.

Foi uma artista consagrada na cena artística brasileira desde sua primeira coletiva no Salão Nacional de Belas Artes do Rio de Janeiro, em 1926, até sua última mostra, aos 93 anos, no Museu Antonio Parreiras, em Niterói, cidade que escolheu pra viver em 1923.

Aos quatro anos de idade a pequena Hilda ganhou uma caixa e aquarelas. Enquanto sua mãe procurava a menina travessa, ela estava pintando um livro de medicina de seu pai, o renomado médico Guilherme Eisenlohr. "Meu primeiro trabalho em pintura foi para estragar um livro de meu pai", conta ela sorrindo.

Discípula de Modesto Brocos, Rodolfo Chambelland, João Baptista da Costa e Augusto Bracet no Curso Livre da Escola Nacional de Belas Artes (ENBA), teve seu primeiro contato com a arte com o rígido professor Henrique Oswaldo: "A senhora precisa aprender a fazer ponta em lápis", dizia o mestre ainda acreditando que as mulheres aprendem pintura para pintar almofadas. Seu primeiro quadro foi uma vista da janela que dava para um paredão no vizinho. O professor olhou para o quadro - "Um buraco no céu" - e disse que não prestava.

"Retrato de Quirino" (aos 30 anos de idade) - óleo sobre tela (1932)
Aos 18 anos, descobriu a professora Georgina de Albuquerque, passando a frequentar seu ateliê em Niterói. Georgina era uma professora que se dedicava inteiramente aos seus alunos e ensinava numa atmosfera de plena liberdade, procurando dar coragem e entusiasmo aos estudantes de pintura.

Em 1923, seu pai foi para a Europa em Comissão de Estudos e a estudante de pintura foi com a Mãe para Niterói, passar algum tempo em Icaraí. Lá conheceu um estudante da ENBA, Quirino Campofiorito (1902-1993), que passou a ser seu professor e a estimulou a estudar também na Escola. Hilda se preparou para prestar o concurso e em 1924 ingressou na mesma classe de Quirino. Hilda conta que conheceu o marido nadando na praia de Icaraí. "Remador, ele quase bateu com o remo em minha cabeça. Nos olhamos e começamos a conversar", disse ela em entrevista.

Viagem à Europa

O pintor e architecto Quirino Campofiorito, premio de Viagem da Escola Nacional de Bellas Artes em 1929, e sua esposa, Hilda Eisenlohr, tambem pintora, que seguiram hontem para a Europa, a bordo do "Almirante Alexandrino". Revista Fon-Fon, 31/05/1930.
Fizeram então juntos o curso de pintura em 5 anos, se apaixonaram, e quando Quirino recebeu da ENBA o "Prêmio de Viagem ao Estrangeiro", casaram, e foram passar uma temporada de aprendizado na Europa, onde estudou na Academia Julien, em Paris, e na Real Academia de Belas Artes, em Roma.

Antes da viagem, conta Hilda no livro "Cerâmicas e vidros", editado em 1991 em sua homenagem: "Na exposição que fiz em 1926 no Salão Nacional, recebi como visitante o mestre Eliseu Visconti, que olhou para meus trabalhos expostos e disse: 'Moça, você encontrou uma flor em seu caminho, cuide dela'". Foi o incentivo que faltava. Por sinal, no Salão Nacional Hilda foi considerada "hors concours", por ter recebido os prêmios de medalha de bronze (Pintura - 1926), prata (Pintura, com "Tacacá" - 1935) e Ouro (Arte Decorativa - 1949).

Moraram em Roma por dois anos, mas sempre que podiam viajavam pela Itália. Gênova, Florença, Turim, Siena, Milão, Nápoles, Pompéia e, principalmente Veneza, para ela, "a cidade mais bonita do mundo". "Em Veneza, ficávamos em um hotel próximo à Praça São Marcos, onde dorminamos ao som dos sinos da famosa Torre de Veneza, o que me proporcionava uma alegria imensa", relembra a artista.

"Mulher Deitada" (1932 - Coleção MAM)
Em Anticoli Corrado, uma cidadezinha medieval do século XI, a duas horas de trem da capital italiana, onde passou uma temporada, Hilda, imbuída de novos conceitos a respeito da arte, já tinha os olhos mais livres para criar uma notável série de paisagens, denotando um colorido mais interpretativo, contando com composições mais elaboradas e um ponto de vista mais próprio. Este encontro com a luz mediterrânea acentuou sua ligação e seu amor pela natureza. O casal visitou a Bélgica e ficou encantado com as paisagens e o casario medieval, depois retratados em vários trabalhos.

Novos horizontes artísticos

"Moça de Amarelo" (1936, Coleção MNBA)
Em Paris, para onde foi com Quirino em fuga das ameaças do fascismo italiano, Hilda deu prosseguimento à sua arte, agora totalmente voltada para as formas livres. Grávida, Hilda temia que o regime do "Duce" impusesse a cidadania italiana ao bebê, afinal, neto do romano Pietro (Pedro) Campofiorito. Na capital francesa, em 1933, expôs no Salon de Paris e deu à luz ao filho Ítalo. É, então, uma pintora que detém a técnica, o sentimento aguçado e uma vontade incomum de criar.

Ao retornar ao Brasil no ano seguinte, a artista iniciou sua carreira profissional participando de exposições coletivas, em salões nacionais, além de várias exposições oficiais, como as realizadas em Londres e Buenos Aires. Em agosto de 1935 apresentou, no Salão da Pró-Arte, 46 telas reproduzindo cenários da França, Itália e Alemanha.

Sobre a mostra, escreveu Luiz Antônio Pimentel na Gazeta de Notícias: "Seus quadros, verdadeiros poemas de colorido, nos fazem lembrar poemas de Tagore. Hilda Campofiorito foi pintando bem, e voltou pintando melhor". Para Guerra Duval, "o vigor do contraste, um tanto brutal, não significa que deixa de haver harmonia. Essa existe, mas é uma harmonia que, em técnica musical, qualificaríamos de dissonante."

Ainda em 1935, Quirino foi convidado pelo deputado Bento de Abreu Sampaio Vidal para inaugurar e dirigir a Escola de Belas Artes de Araraquara (EBAA), no Estado de São Paulo. Lá Hilda realizou trabalhos e alguns retratos, inclusive o famoso "Moça de Amarelo", que foi, mais tarde, oferecido ao Museu Nacional de Belas Artes, no Rio de Janeiro. E na EBAA, Hilda expôs seus quadros em 1936.

Oleiros de Niterói (1943-45, Coleção MAM)
Em 1937, no Salão de Maio da Associação dos Artistas Brasileiros (AAB), no antigo Palace Hotel, no Centro do Rio, Hilda participou de uma exposição de obras da família Campofiorito: Hilda, Quirino, a cunhada Violeta e o sogro Pedro. Hilda apresentou, 15 telas, entre as quais se destaca a "Lenda Amazônica", onde domina o nu de uma jovem índia; e outra, representando a secagem e a escolha do café espalhado no terreiro. Com dois estudos executados no interior de uma fábrica, Hilda reafirmou, em 1939, no mesmo Salão de Maio, seu dom de analista do mundo que nos cerca.

Prêmio Viagem ao Interior

Com o quadro "Flores", foi agraciada, dois anos depois, pela AAB, o prêmio 'Djalma da Fonseca Hermes'. Sua mestra, Georgina de Albuquerque, também foi premiada pelo júri. Ainda em 1941, no Salão Nacional, apresentou três trabalhos, dos quais, se destacou, segundo Henri Kauffman, "Igreja N. S. do Rosário, cujas perspectivas adquirem força singular, graças à singeleza dos traços e das cores. A cena, ademais, é bem iluminada."

"Operários de Fábrica" (1943)
Ainda em 1941 juntou-se ao grupo que fundou a Divisão Moderna do National Art Hall, movimento que procurava estabelecer as tendências do movimento modernista, em contraponto ao tradicionalismo e o conservadorismo acadêmico. No Salão Nacional de 1942, apresentou, além de uma tela de grande equilíbrio, "Rachadores de lenha", dois ladrilhos, "Ubóia-Arara" e "Tuchaua", duas lendas amazônicas, em felicíssima estilização.

Sobre sua exposição no Diretório Acadêmico da Escola Nacional de Belas Artes, em 1943, escreveu o poeta Manuel Bandeira ao periódico carioca 'A Manhã': "A serenidade e discrição de d. Hilda Campofiorito empresta a toda sua obra um caráter repousante, que é um prazer sem mistura para os olhos" (ver na imagem o texto completo de Bandeira). Na mostra, Hilda apresentou uma coleção de estudos de assunto operário, acrescida de uma série de composições decorativas com pássaros e outros animais. Figuram ainda cerca de 30 peças de cerâmica rústica, ladrilhos e vasos ornamentados com motivos indígenas.

Crônica do poeta Manuel Baneira
Em 1944, durante o 50º Salão Nacional de Belas Artes, tornou-se a primeira mulher a conquistar, na ENBA, o prêmio "Viagem ao País", com a obra "Operários de Fábrica", que a levou em missão artística ao interior do Rio de Janeiro e Minas Gerais. Nessa viagem, se dedicou a captar cenas de Ouro Preto, Congonhas, São João del Rei, Parati e Cabo Frio. No ano seguinte, expôs, no Salão Nacional, duas obras produzidas nessas viagens.

Mas foi em 1947 que Hilda apresentou ao público, no Ministério da Educação e Saúde, uma mostra completa das obras produzidas nessas viagens pelo rico Brasil Colonial.

Crônica de Antônio Bento para o Diário Carioca (1947)
Apresentando uma coleção de cinquenta telas, uma dezena de guaches e várias peças de cerâmica rústica, a artista teve reconhecido o merecimento e o esforço no cumprimento de um dever que o alto prêmio obtido lhe exigira. O pintor e crítico de arte, Tomás Santa Rosa, encerrou assim sua crônica sobre a mostra: "É uma satisfação assistir ao progresso de um artista. Hilda Campofiorito está de parabéns".

De fato, captando os cenários dos rincões do país, Hilda manifestou uma das principais características de sua obra, justamente o apego à natureza, não com caráter racional ou mecânico, mas com conotação expressiva, em comunhão com a vida. Segundo o pintor e restaurador Cláudio Valério, "é um sentido decorativo que permeia toda a sua obra, e que lhe confere um caráter autenticamente moderno".


Cenas de Diamantina e São João del Rey



Novos materiais

Mesa de azulejo em mosaico
Já buscando novos materiais como inspiração, em 1952, Hilda abriu na Associação Brasileira de Imprensa, no Rio de Janeiro, a exposição "Ornamentos femininos", na qual mostrou um sedutor conjunto de peças de cerâmica e esmalte endereçadas ao gosto feminino, como broches, colares e brincos. No ano seguinte, conheceu a ceramista americana, Margareth Spencer - que morou no Brasil durante onze anos - e durante um ano e meio frequentou suas aulas de artes decorativas, em especial a pintura sobre o cobre esmaltado e cinzeiros de vidro.

Nesse mesmo período, foi convidada a decorar o Hospital Getúlio Vargas Filho, o Getulinho, no bairro do Fonseca, em Niterói. foram pinturas a têmpera sobre 32 paredes de 17 enfermarias e 2 salas de recreação, num raro exemplo brasileiro de conjunto decorativo de amplas proporções. A artista orientou sua obra no sentido de corresponder estritamente à curiosidade das crianças enfermas, proporcionando-lhes uma recreação para o espírito.

"Mercado do Peixe em Salvador", desenho a nanquim (1954)
Em 1954, ilustrou um livro póstumo de contos da autoria de Lúcio de Mendonça, em comemoração ao centenário de nascimento do escritor fluminense, nascido em Barra de Piraí. Em 1956, na Petite Galerie, em Copacabana, e em 1957, na Galeria Maloca, em Niterói, exibiu seus "Ornamentos femininas".

Na mostra da Galeria Módulo, também em Copacabana, em 1958, apresentou belos objetos funcionais e decorativos, além do batik em seda, seu mais novo experimento. O batik surgiu nos enfeites e objetos de ornamentação pessoal de antigas sociedades orientais. No mesmo ano, expôs seus trabalhos decorativos nas Galeria Tubenchlak Interiores, na Praia de Icaraí, Niterói. Essa foi a primeira mostra individual da artista na cidade.

Paisagem de Tiradentes
Sobre seu contato com o batik, Hilda conta. "Numa de minhas viagens pela Europa, passando pela Rue Saint Germain des Près, dei com uma vitrine só de batiks. Não conhecia nada daquela técnica e confesso que fiquei apaixonada por ela. Naquele tempo, viajava-se de navio e nós empregávamos os navios da Mala Real Inglesa, que levava treze dias para chegar ao Havre e dali seguíamos de trem para Paris. Custou para eu conseguir os nomes dos materiais necessários para fazer os batiks e tomar uma aulas. Despachei tudo: os papéis, os pincéis e os potes de tinta para o Brasil (no navio, cada passageiro podia levar duzentos quilos de carga!).

Décadas mais tarde, o pintor e restaurador Cláudio Valério discorreu com propriedade sobre as transformações no trabalho da artista neste período: "A pintura, em suas variadas formas, não é mais seu único meio de expressão. A cerâmica, o trabalho em vidro e as técnicas orientais do batik são veículos para a artista conceber sua visão da natureza. As paisagens, as raízes e os panôs de formas orgânicas são extraídos do contato diário da artista com o meio natural, formando assim uma unidade de significação forte, não de caráter racional ou mecânico, mas de conotação expressiva, em comunhão com a vida. Não podemos pretender separar na produção de Hilda Campofiorito a pintura da criação de objetos decorativos. Uma se relaciona com a outra, uma vive da outra. Este senso decorativo que permeia sua obra, que está presente em tudo o que a artista produz é o fio condutor para a compreensão de sua arte. Esta vocação decorativa é que a faz verdadeiramente moderna".

Grande exposição no MAM

Crônica de Ferreira Gullar sobre exposição de Hilda Campofiorito no MAM, em 1962
Sobre sua exposição denominada "Tecidos Pintado", no Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro (MAM), em 1962, escreveu o crítico de arte Antônio Bento no Diário Carioca: "Nesse domínio, a pintora é insuperável entre os demais artistas. Os seus tecidos pintados são incontestavelmente, do ponto de vista da técnica e da criação artística, os melhores feitos no país. Sobretudo no terreno da cor, a mostra é do maior interesse. A artista dá realmente uma prova convincente dos seus dons de colorista." Logo em seguida, a artista foi convidada pela direção do MAM para ministrar um curso sobre a técnica de pintura em tecido.

A convite da Universidade Federal do Pará, expôs nos anos de 1963 e 1965 seus trabalhos no Salão de Artes Plásticas de Belém. A Sala de Arte de H. Stern, no Centro do Rio, recebeu uma mostra de Hilda em 1967, com criações recentes de pinturas em tecido, nos mais variados processos, tradicionais e modernos, além de peças em vidro esmaltado e desenhos.

Como atração do curso "50 anos de Arte Moderna no Brasil Contemporâneo", em 1972, a Universidade Federal Fluminense convidou Hilda para uma exposição com trabalhos de batik. A mostra, realizada no saguão da Reitoria, em Icaraí, Niterói, contou também com quadros a óleo de seu marido, Quirino. No ano seguinte, expôs seus trabalhos, usando a mesma técnica, na Galeria "Le Chat", também em Icaraí.

De volta à pintura

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Depois de anos dedicado à arte de decoração, Hilda Campofiorito retornou à pintura em duas exposições - 1979 e 1981 - no Museu Nacional de Belas Artes, com o mesmo entusiasmo e qualidade que sempre a caracterizam.

A exposição que realizou em 1985 na Galeria Acervo, em Botafogo, reuniu 87 pinturas entre óleos e aquarelas. A obra mais antiga, datada de 1932, representava a etapa em que a artista desenvolvia um trabalho de forte interesse pelas contradições sociais; os quadros mais recentes incluíam paisagens de diversas localidades do Estado do Rio, vistas urbanas de cidades europeias e brasileiras, além de naturezas mortas, sobretudo flores.

"Casarão com Galináceos e Roupa no Varal", técnica mista
Comemorando seus 90 anos, a artista realizou três exposições, apresentando pinturas, desenhos, batiks, cerâmicas e vidros no Clube Naval de Niterói, no Museu Histórico do Estado do Rio de Janeiro e no Museu do Ingá. Por toda essa força artística e pelas inúmeras amizades que fez ao longo de sua trajetória artística, Hilda comemorou seu aniversário junto a centenas de amigos, em um jantar no Clube Português de Niterói. Em uma entrevista ao Jornal do Brasil, ela contou: "Hoje divido meu tempo entre três paixões: a pintura, o banho de mar e minhas plantas. Todos os dias caminho pela Praia de Icaraí, bem cedo, e às vezes não resisto a um delicioso banho de mar."





Centenário e homenagens


Cenas do interior de Minas Gerais


Comemorando o centenário do casal, em 2002 o recém inaugurado espaço cultural Solar Jambeiro, em Niterói, promoveu a mostra "Hilda e Quirino Campofiorito - Vida e obra". Com curadoria de Cláudio Valério e Elizabete Peixoto, a mostra reuniu cerca de 50 quadros, cerâmicas, vidros e gravuras.

A pintura de Hilda Campofiorito não revela a menor influência de seus antigos mestres. Sua personalidade se manteve afirmada e independente em todas as suas mensagens pictóricas, seja na natureza-morta, na paisagem urbana, além do uso da cerâmica, tapeçaria, da pintura sobre tecidos, da técnica do batik, na qual muito se distinguiu, e do desenho de joias. Hilda era uma pintora figurinista, que trabalhava em seus motivos populares com a paixão dos idealistas. Cultivava uma temática de natureza social, com ênfase nas atividades laboriosas, o homem e o trabalho foram os elementos preponderantes em seu potencial emotivo.

Hilda Campofiorito fez parte de várias instituições, como Associação dos Artistas Brasileiros, Instituto Brasileiro de História da Arte e Núcleo de Belas Artes de Araraquara (membro honorário). Várias vezes participou dos juris de seleção e premiação e da Comissão Organizadora do Salão Nacional de Arte Moderna.

Na foto de "O Jornal", de 1958, Hilda traja um vestido por ela mesma pintado e mostra a uma admiradera, um dos belos cinzeiros de esmalte e vidro. No fundo, uma estola de seda, também de sua autoria.
Possui quadros em vários museus e galerias, como: Museu Nacional de Belas Artes, Museu Mariano Procópio, Galeria do Núcleo de Belas Artes de Araraquara, Galeria de Arte de Anticoli, na Itália, Museu de Arte Moderna, Tribunal Eleitoral de Brasília e em várias coleções particulares do Brasil e no exterior. O Museu Nacional de Belas Artes abriga uma tela sua que representa um tradicional costume paraense: "o Tacacá".

Hilda Campofiorito morreu em 16 de janeiro de 1997, aos 95 anos, em Niterói, deixando um filho, o arquiteto Ítalo Campofiorito (1933-2020). Três anos antes, ainda trabalhava com afinco, cinco horas por dia em seu ateliê produzindo as obras para sua última mostra, "Viagens", no Museu Antonio Parreiras.


Críticas

    Hilda com uma de suas cerâmicas em 1947
    Hilda Campofiorito é uma pintora que realizou a sua arte sem maiores propagandas. O que tem maior relevo em suas composições proletárias é justamente aquilo que se relaciona com o ser humano. As figuras dos trabalhadores, sempre personagens de Hilda, são marcadas em face dos múltiplos problemas existenciais. Há como que uma verdadeira integração da artista no mundo interior de seus modelos. Tudo atingido com a utilização de um metier próprio, como os artistas autênticos que desprezam a violência das cores ou as deformações intencionais manifestações plásticas. A emotividade predomina fortemente em todas as obras dessa artista brasileira. Em suas figuras, como em suas paisagens, o espectador encontra sempre qualquer linguagem que se comunique com a sua sensibilidade. Mesmo quando Hilda se dedica às nossas lendas indígenas na sua curiosa arte decorativa percebe-se que a sua personalidade permanece mesmo onde o artesão tem algum serviço como auxiliar. As cerâmicas tão rústicas e trabalhadas com uma simplicidade primitiva deixam bem saliente o valor da artista. A policromia que apresentamos, "Trabalhadores de rua", é um óleo que representa perfeitamente a sua autora. Faz parte de uma série de trabalhos que com o mesmo ritmo situam Hilda entre os maiores pintores do Brasil e figura entre os quadros que serão apresentados este ano no Salão Nacional de Belas Artes. (Sylvia de Leon Chalreo, Revista Rio Social, 1943)

    "Carregadores de Sal", óleo sobre tela (1972)
    "Uma pintura forte, de matéria dramática, conscientizando a temática social de tão difícil tratamento, coloca-a ao lado dos pintores mais importantes do gênero. A sabedoria do enfoque grupal, tão evidente em Portinari, Di Cavalcanti e Sigaud, entre outros, encontra nela uma intérprete original. Nenhum toque de caráter feminil ou lírico, nesta pintora que soube com grandeza transmitir o problema eterno dos construtores anônimos do progresso, com pouca vantagem por isso. A valorização do processo artesanal, que ela aqui situa no ofício vivo de uma olaria, é outra resposta do homem à industrialização que sufoca o trabalho manual e seu estímulo de criatividade. Hilda Campofiorito concretiza este testemunho sem demagogia, com pulso de verdadeiro pintor". (Walmir Ayala)

    Cartão de Natal, anos 1950
    "Dona de suas cores, sincera em sua condição de artista-plástica, inspirada em um material vivo, perfeita mente senhora de uma técnica libertada de preconceitos, Hilda serve e constrói quando realiza uma obra de arte. O artista precisa tirar das coisas o seu conteúdo verdadeiro e afirma seu processo com as respostas plásticas de sua emoção. Há em certos quadros de Hilda tamanha força de pureza e tão sentida penetração em seus personagens, que o espectador se convence totalmente. As ruas estreitas com velhas casas tudo muito enferrujado, tudo muito legítimo em sua cor e sua idade. As velhas igrejas, onde o povo faz suas preces e espera os milagres que enganam. Os homens do mar, os operários fortes das salinas, os embarcadiços, os operários da pá e da picareta com suas mulheres carregando os filhos. São quadros todos que confirmam as nossas observações. Outra característica muito em evidencia nas telas de Hilda é um acentuado bom gosto que se constata em suas composições. Há sempre um equilíbrio bem marcado que uma matéria "saborosa", podemos assim dizer, ainda dá maior realce. Hilda Campofiorito é uma artista nova, ou melhor, uma animadora da chamada Arte Moderna." (Sylvia de Leon Chalreo, jornal Momento Feminino, 1947)

    Batik de Hilda Campofiorito, Liquitex sobre cartão (1973)
    "No gênero, a exposição feita presentemente por Hilda Campofiorito, no MAM, é a melhor das que aqui foram realizadas desde vários anos. Sobretudo no terreno da cor, a mostra é do maior interesse. A artista dá realmente uma prova convincente dos seus dons de colorista. Hilda, que deixou de parte, nos últimos anos, o quadro de cavalete, preferindo entrar para o campo dos tecidos pintados e dos objetos de esmalte, marchou para o domínio das artes aplicadas, tendo nesse sentido, realizados cuidadosos estudos e observações em suas recentes viagens à Europa. Os seus tecidos pintados são incontestavelmente, do ponto de vista da técnica e da criação artística, os melhores feitos no país. Nos seus processos de trabalho, a artista utiliza a pintura direta, tanto com os pincéis, como igualmente com as modalidades do tradicional "batik javanes ou do "roketsuzome" usado pelos japoneses. Daí essa surpreendente variedade de resultados pictóricos, de sedutora expressão plástica, nas peças expostas, que não se desligam, sem exceção, de uma autêntica criação, até mesmo com as possibilidades de serem consideradas no melhor limite de expressionalidade da pintura moderna." (Antônio Bento sobre exposição no MAM, Diário Carioca, 1962)



      (1) "Canto do Rio Niterói", Óleo sobre madeira (1950); (2)"Operários", Óleo sobre madeira (1957)






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Emmanuel de Macedo Soares (1945-2017)
K. Lixto (1877-1957)
Memória: Dois niteroienses entre os Maiores Brasileiros Vivos em 1924
Manoel Benício (1861-1923)
Cláudio Valério Teixeira (1949 - 2021)


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