Membro da Academia Brasileira de Letras, o sociólogo e escritor niteroiense Marcos Almir Madeira cumpriu dois mandatos como membro do Conselho Federal de Cultura, foi membro da Divisão de Divulgação Cultural do Estado do Rio e dirigiu a Casa de Oliveira Vianna, no bairro do Fonseca, sua cidade Natal.

Filho do professor, pediatra e deputado provincial Almir Rodrigues Madeira e de América Barbosa Madeira, Madeira nasceu em 21 de fevereiro de 1916. Fez os estudos primários em casa, seus mestres foram o próprio pai e a professora Regina Tibau. Graduou-se em Ciências Jurídicas e Sociais em 1939, foi advogado por oito anos e professor de direito e história na Universidade Federal Fluminense, na Fundação Getúlio Vergas e no Instituto Rio Branco. Publicou seu primeiro livro em 1944, com o título "A ironia de Machado de Assis e outros temas".

Na Divisão de Divulgação do Estado do Rio de Janeiro, de 1943 a 1946, realizou, sob a forma de inquéritos e estudos de vários tipos, pesquisa sobre aspectos da cultura fluminense. Nesse setor, dirigiu também atividades de teatro especializado infanto-juvenil, em cooperação com entidades escolares, e de teatro popular de amadores.
A pintura e a escultura de artistas fluminenses receberam novo alento, a partir do Salão de Petrópolis, em 1943, quando se conjugaram, na mesma mostra, diferentes escolas, tendências e idades. Exerceu, por duas, vezes, a presidência da Associação Brasileira de Educação, de cujo Conselho Diretor participava como membro vitalício. Em 1948, participou da Comissão Brasileira, constituída por proposta da UNESCO, para conceituação de "Civismo no Plano Internacional". Organizou e dirigiu o periódico Leitura de Todos, órgão da Comissão Brasileira da Unesco, e editado em cooperação com o Ministério da Educação e Cultura, para a campanha de Educação de Adultos, sob a direção técnica do Professor Lourenço Filho.

Integrou, em 1952, a Comissão dos Educadores que empreendeu, na ABE, a pedido do Ministro da Educação, o reexame do Projeto da Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional, coordenando sugestões que foram em essência acolhidas, notadamente as relativas à competência e organização do Conselho Nacional de Educação. Como delegado do Brasil participou, em 1953, do Congresso Interamericano de Sociologia, que o elegeu Presidente da Comissão de Ensino de Sociologia. Presidiu ao I Encontro de Educadores em Brasília, em 1962, na qualidade de Presidente da Associação Brasileira de Educação, que organizou o conclave.


Na imagem, Cícero Sandroni; Barbosa Lima Sobrinho; Marcos Almir Madeira; e Evandro Lins e Silva


Dirigiu, no Estado do Rio de Janeiro, o Arquivo Público, abrindo-o para a comunidade, em especial para grupos universitários. Foi Presidente do PEN Clube do Brasil, a partir de 1978. Em 1982, nomeado pelo Presidente da República, foi Delegado do Ministério da Educação e Cultura, no Estado do Rio de Janeiro, resumindo sua ação administrativa junto a estudantes, professores e empresários escolares num apelo: “Porta aberta e mãos estendidas. Por um MEC mais público”.

Foi membro efetivo do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro e seu orador; membro titular da Asociación Latino-Americana de Sociologia; membro da Academia Brasileira de Arte, onde sucedeu a Múcio Leão; membro da Academia Fluminense de Letras; membro do Conselho da Aliança Francesa do Brasil; sócio Honorário do Sindicato dos Escritores do Rio de Janeiro; e membro correspondente da Academia Portuguesa da História.

Madeira Escreveu 11 livros, entre os quais: "Bacharelismo e Tecnicismo" (1956); A estilística dos títulos em Gilberto Freyre (1978); "A Revolução Francesa: A Mensagem e o Momento" (1990); e "O Outro Rui Barbosa" (1994). Sexto ocupante da cadeira 19 da Academia Brasileira de Letras, foi eleito em 19 de agosto de 1993, na sucessão de Américo Jacobina Lacombe, e recebido pelo acadêmico Abgar Renault. Marcos Almir Madeira faleceu no Rio de Janeiro, aos 87 anos, em 19 de outubro de 2003.




Condecorações

Medalha do Mérito Santos Dumont, do Governo da República;
Medalha José Cândido de Carvalho;
Oficial da Legião de Honra (França);
Comendador da República Italiana, na Ordem do Mérito;
Grã-Cruz da Ordem de Andrés Bello (Venezuela);
Oficial da Ordem das Artes e Letras (França);
Oficial da Ordem Nacional (Senegal);
Comendador da Ordem do Sol (Peru);
Comendador da Ordem do Mérito (Portugal);
Comendador da Ordem do Sol Nascente (Japão);
Oficial da Ordem do Mérito (Espanha);
Grã-Insígnia da Ordem do Mérito, da Áustria;
Oficial da Ordem de Isabel, a Católica, da Espanha.





Publicado em 05/05/2021
Museu Antônio Parreiras