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  TEXTO DE JOSÉ DE ECHEGARAY EM CARTAZ NO THEATRO JOÃO CAETANO
 
 
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Em benefício de uma associação de caridade, realiza-se neste sábado, 10 de maio de 1902, às 20h30, no Theatro João Caetano, um festival organizado pelo distincto amador Osorio Silveira.

Este espetáculo foi confiado ao corpo cênico do Club Rachuelense que levará à cena o drama em 3 atos do escritor espanhol D. José Echegaray, com tradução de Alvaro Peres, intitulado: "De Má Raça". A ação se passa na Espanha contemporânea.

Terminará o espetáculo com uma belíssima parte variada onde Osorio da Silveira, Castro Vianna, Cunha Junior e conhecidos amadores, recitarão belas poesias e engraçados monólogos. A pedido dos promotores, o conhecido amador Costa Velho deliciará a plateia com uma surpresa.


Ficha Técnica

Castro Vianna - Carlos
Laura Cunha - Adelina
Olga Alves - Paquita
Cunha Junior - Anselmo
Arthur Pontes - Nicomedes
Manoel Paim - Prudêncio
Carmelia Thibau - Visitação
Octavio Freire - Criado

Aviso: Sendo grande a procura de bilhetes para este magnífico festival, que nada deixará a desejar, as encomendas para o pequeno resto de bilhetes podem ser dirigidas para a rua da Praia n. 111, Casa Guanabara, até às 4 horas da tarde do dia do espetáculo, e depois dessa hora, na bilheteria do teatro a disposição do respeitável público.

Don José Echegaray y Ezaguirre, é o mais popular dramaturgo espanhol do último quarto do século XIX, nasceu em Madri em 1833 e morreu em 1916. Fez seus estudos na Universidade de Murcia e logo foi a Madrid onde ingressou na Escuela de Caminos onde se destacou em Matemática e Física apesar de ser mais conhecido internacionalmente por suas obras para teatro. Obteve o Prêmio Nobel de Literatura em 1904. Entre suas obras se destacam: "A la Orilla del Mar", "Conflicto Entre Dos Deberes", "El Gran Galeoto", "El Loco Dios", "En el Pilar y en La Cruz", "La Duda", "Mancha Que Limpia", "Un Critico Incipiente", "Un Sol Que Nace y un Sol Que Muere" e "Vida Alegre y Muerte Triste".


Crítica no Jornal "A Capital"

Com extraordinária concorrência realizou-se, ontem (10/05), o espetáculo em favor de uma associação beneficente, representando-se com grande sucesso o drama de Echegaray "De Má Raça", desempenhado pelo corpo cênico do Club Riachuelense. O intermédio, em que tomaram parte amadores d'esta cidade, foi muito aplaudido.

"De má raça", o delicado drama de Echegaray, traduzido por Álvaro Peres, foi a peça escolhida, correndo a recita, que fora promovida pelo estimado amador Ozório da Silveira, em beneficio de uma associação beneficente.

Tomaria um grande espaço o enredo minucioso da emocionante peça, se dele quiséssemos tratar. "De má raça", é mais uma retratação desses dramas da vida íntima em que, entre o amor e a honra, o coração e o dever, se desencadeiam tempestades mais ou menos negras e pesadas, que vão esmagar os entes por elas atingidos, derrocando-lhes a paz do lar.

O primeiro ato, fraco em relação aos demais, é como que um exordio da peça: em diálogos que se sucedem, aliás longos e fastiosos, os personagens secundários se encarregam de apresentar e pintar os caracteres dos dois protagonistas Carlos e Adelina, preparando, assim, a plateia para a ação do drama, que, verdadeiramente, começa nos dois seguintes atos.

Carlos, que conseguiu juntar o seu coração ao de Adelina, uma pobre órfã, depois de uma luta ingente, a que o obrigara a tenaz oposição de seu pai, passa depois, pelas maiores torturas no seu coração de esposo extremado.

Adelina é acusada de infidelidade conjugal, sendo o pai de Carlos o portador de tão negra denuncia.

Carlos perde, então, a cabeça, a sua razão vacila, sente a alma fremente esmagada num círculo de ferro, e desvairado, olhar injetado, sufocado pela dor, tem ímpetos de descarregar toda a sua cólera sanguisedenta.

Mas falta-lhe o alvo certo: de um lado a tibieza, a vacilação angustiosa de Adelina, de outro lado as acusações acerbas e duras do seu pai, o tornam perplexo, indeciso e cada vez mais martirizado.

É preciso desvendar a verdade, Carlos animado ainda por uma centelha de esperança, reunidos os átomos alvoroçados da sua razão, atira-se àquele pélago sombrio de incertezas e dores e vai pressuroso, em busca da salvação da sua honra, que já todos julgam golpeada.

E, como não há tempestade que não serene, vendaval que não cesse, Carlos, dentro em pouco, nos braços de sua Adelina, misturava as lagrimas da sua infinda alegria com as do martírio sofrido por ela: a sua honra estava impoluta e salva a paz do seu lar. Todos os elementos colhidos eram somente comprometedores da sua madrasta Paquita.

O respeito profundo que tinha pelo seu progenitor e a vergonha de denunciar-lhe semelhante ignominia, fazia-o suportar, embora que desesperado e ferido, as suas recriminações e os golpes à sua dignidade, que continuavam, contudo, acres e dolorosos.

"Há sempre mais honra nos lábios que no pensamento", dizia, ao sofrear os ímpetos do seu coração ferido.

Mas, uma vez, não pode mais suportar o silêncio: seu pai considerava adulterino o filho do seu sangue. De um ímpeto arrancou das mãos de Adelina as cartas que comprometiam Paquita e apresentou-as a seu pai.

É a terminação do drama. Falemos agora, do desempenho.

Castro Vianna (Carlos) muito justamente cognominado amador-artista, disse o seu papel irrepreensivelmente. Nos grandes e fatigantes lances dramáticos, Castro Vianna esteve numa tal elevação artística, que o entusiasmo do público tocou as raias do delírio.

A distinta amadora, a Exma. Sra. D. Laura Cunha (Adelina) jogou com muita arte as difíceis cenas do seu papel. Uma verdadeira vocação artística.

Cunha Junior (D. Anselmo), Arthur Pontes (D. Nicomedes), as senhoritas Carmelia Thibau (Visitação), Olga Alves (Paquita), Manoel Paim (D. Prudencio), secundaram bem os dois protagonistas, dando brilho bastante á interpretação dos seus personagens.

Numerosos buquês de flores naturais foram atirados em cena e oferecidos, nos camarins, as distintas amadoras.

Terminou o espetáculo com um ato variado em que tomaram parte o nosso querido Osorio da Silveira, no "Chico na Capitá"; seu filho Hildebrando da Silveira, um Osorio em miniatura, que disse com muita graça "Os apuros da comadre"; Arthur Pontes no monologo "Fatalidades"; Cunha Junior na "Lágrima", a inspirada poesia de Guerra Junqueiro e Castro Vianna que arrebatou o auditório com sua corretíssima dicção, na "Festa e Caridade", de Thomas Ribeiro.

Depois de 1 hora da madrugada terminou o espetáculo, sendo os amadores do Club Riachuelense acompanhados até a ponte Ferry por muitas pessoas, tendo à frente a banda do música.






Tags Castro Vianna, Laura Cunha,




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