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  JOSÉ CÂNDIDO DE CARVALHO TOMA POSSE NA FUNDAÇÃO DE ATIVIDADES CULTURAIS
 
 
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O acadêmico José Cândido de Carvalho tomou posse, no último 19 de julho de 1984, na Presidência da Fundação de Atividades Culturais (FAC), em cerimônia realizada no Salão Nobre do Palácio Araribóia, presidida pelo Prefeito Waldenir de Bragança, e que contou com a presença do Presidente da Academia Brasileira de Letras, Austregésilo de Athayde; do acadêmico José Honório Rodrigues, também membro da Academia Brasileira de Letras; do Secretário de Cultura do MEC, Marcus Vinicius Villaça; do Deputado Federal Saramago Pinheiro; e do Presidente do Conselho Municipal de Educação, Luís Braz, entre outras personalidades.

A cerimônia teve início com a leitura, pelo Secretário do Governo, Michel Salim Saad, do ato de nomeação do romancista José Cândido de Carvalho, para a Presidência da FAC, e do Pastor Nilson do Amaral Fanini, como integrante do Conselho Municipal de Cultura. Os empossados receberam forte salva palmas.

Em seguida, o Secretário Municipal de Educação, Professor Horácio Pacheco, em seu discurso, usou vocabulário característico da obra de José Cândido de Carvalho, considerando sua nomeação "um dos atos mais lúcidos e oportunos do Prefeito Waldenir de Bragança". Definiu José Cândido de Carvalho como "figura singular das nossas letras" e estendeu suas saudações enaltecendo os novos integrantes do Conselho Municipal de Cultura, o Pastor Nilson do Amaral Fanini e o Arcebispo de Niterói, Dom José Gonçalves da Costa, não tendo este comparecido à solenidade.

Logo depois do discurso do novo Presidente da FAC, o Secretário de Cultura do MEC, Marcus Vinicius Villaça, afirmou que "o Coronel José Cândido de Carvalho estará transferindo à FAC uma flor para espantar os lobisomens que espantam a cultura brasileira". Marcus Villaça ressaltou a necessidade de o País prestigiar seus valores culturais, e assinalou que "o contexto cultural de Niterói não é o mesmo que o do Rio de Janeiro", afirmando mais: "Por isso, estou, aceitando os desafios da comunidade e sou para José Cândido toda oferta.

O Prefeito Waldenir de Bragança, ao usar da palavra, a fim de encerrar a solenidade, pôs em relevo o fato de o acadêmico José Cândido de Carvalho ter aceito seu convite para presidir a FAC, constituindo o ato de sua investidura um dos mais felizes por ele praticado. Enalteceu os méritos do escritor, consagrado em todo o Pais, bem assim a honra de Niterói tê-lo como uma de suas presenças mais eminentes e prestigiosas. Estava certo de que o novo Presidente da FAC, a par de suas qualificações intelectuais, contaria com a cooperação do Secretário de Cultura do MBC para a execução de um trabalho dos mais fecundos em prol da FAC. Acentuou, o quanto o desvanecia a presença do Presidente Austregésilo de Athayde, das outras altas autoridades e de quantas outras que prestigiavam o ato.

Disse que José Cândido de Carvalho, que desde a adolescência revelaria seu admirável dom de escrever e de bem escrever com maravilhoso poder criador, hoje é vulto dos mais notáveis da literatura brasileira, mas sonhou um dia em ser chefe da estação da Estrada de Ferro Leopoldina, talvez, se o viesse a ser, não se voltando inteiramente para as lidas do escritor que haveria de alcançar ainda vivo, a própria imortalidade. Declamou versos de Casimiro de Abreu, de amor pela terra natal, e, enfaticamente, declarou, ao concluir suas palavras: "Neste instante, Niterói volta ser Capital da cultura".

Dando encerramento ao seu pronunciamento, o Prefeito Waldenir de Bragança frisou que, "naquele momento, estava ausente apenas uma pessoa: o Coronel Ponciano Azeredo Fortunado, que teve de ir para Campos". Logo depois, o Prefeito de Niterói convidou o jornalista Alberto Torres, Diretor Presidente do Grupo Fluminense de Comunicação, para fazer entrega de uma significativa lembrança ao escritor José Cândido de Carvalho: uma caixa com charutos, simbolizando um hábito do Coronel Ponciano, principal personagem de sua obra "O Coronel e o Lobisomem".

A cerimônia terminou com a entrega de flores pela Sra. Regina Neves, esposa do escritor Gastão Neves, à Sra. Helga Fanini, esposa do Pastor Nilson do Amaral Fanini; e pela Sra. Maria Antonia Fernandes, esposa do ex-Secretário de Educação, Álvaro Fernandes, à Sra. Amely Carvalho, esposa do romancista José Cândido de Carvalho.


O discurso de romancista José Cândido de Carvalho, na integra, é o seguinte:

"Afinal, nesta noite e nesta hora, Presidente da FAC, por engenho e arte do Prefeito Waldenir de Bragança, entro, oficialmente, para a lista dos servidores de Niterói, o que muito me honra e desvanece. Sou niteroiense por conta própria, por bem-querer e muito estimar esta cidade, que é uma das mais humanas e racionais cidades do Brasil.

E por cima destas bem engenhadas linhas da velha cidade fica o niteroiense, que é uma criatura toda especial, feita pessoalmente por Deus e não pelos anjos construtores de gente. Por isso é que ser niteroiense não é para qualquer um. Requer talento, jogo de cintura, malícia, desprendimento, bom-humor e astúcia. O niteroiense de raiz, à beira-mar plantado, é quase sempre um pioneiro, um desbravador.

Deste chão, Senhores e Senhoras, partiram poetas, escritores, religiosos, pintores, políticos, médicos, engenheiros e doutores que ajudaram o Brasil a ganhar fortes pernas e fortes braços. Mais alto que a fumaça de nossas fábricas sobe pelo mundo o sonho dos niteroienses. O inesquecível brasileiro que foi Irineu Garcia, recentemente falecido, uma espécie de embaixador da cultura nacional em Portugal, sabia da existência de um mágico niteroiense de cartola fraque atuando nos confins da China. Que viagem fantástica fez esse Marco Polo de Niterói: do calor da Praça Martim Afonso foi tirar pombinhos do lenço nos gelos da Mongólia, do outro lado do mundo, quase em outro planeta.

Em verdade vos digo que nada me espanta no niteroiense. Se, por exemplo, for noticiado que um filho de Tribobó ou de Icaraí foi eleito Presidente dos Estados Unidos ou proclamado Imperador do Japão, eu apenas pergunto: "A que horas é a posse?"

Quanto à cultura niteroiense, que tem no Dr. Waldenir de Bragança um cavaleiro sem medo e sem mácula e no Secretário Horácio Pacheco um condestável de raro brilho, é uma imbatível vocação da cidade. Basta dizer que, com o titulo de Nichteroy (Niterói à antiga, com ipsilone), circulou no Pais uma das mais importantes revistas brasileiras de letras e ciências do século XIX, colaborada pelo que a Nação tinha de mais luminoso e representativo.

Senhores e Senhoras, pelos altos feitos e assinaladas glórias de seus filhos, Niterói devia figurar na eternidade dos Lusíadas. E pela gentileza de suas tardes e perfeição de seus luares, principalmente o luar de agosto, devia ter cadeira cativa no Cântico dos Cânticos, ao lado dos lírios do campo, que não tecem nem fiam, mas nem o Rei Salomão, em toda sua glória, jamais se vestiu como um só deles.

Sr. Prefeito Waldenir de Bragança, é para servir a esta velha e sempre nova cidade que aqui estou, nesta hora e nesta noite, para assumir a Presidência da sua FAC, da nossa FAC. A todos, meus agradecimentos."






Tags José Cândido de Carvalho, Waldenir de Bragança,




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