Dando continuidade à pesquisa sobre arte coletiva e estética relacional, iniciada no Projeto Mosaico do Lugar, a artista visual Leila B. expõe a produção do Projeto Divino Laico que poderá ser conferida a partir do dia 20 de março no Centro Cultural Paschoal Carlos Magno.

O projeto Divino Laico é o desdobramento das reflexões teóricas sobre a socialidade na arte coletiva iniciadas no projeto Mosaico do Lugar. O primeiro foi realizado durante dois anos em seu ateliê por vários participantes, conhecidos e desconhecidos, cada um produzindo livremente uma obra de mosaico indireto, que era inserida nas escadarias da rua, formando um patchwork de mais de 800 trabalhos em 125 degraus, muros e bancos.

A evidência de que produção artística realizada em grupo, respeitando e relevando as singularidades individuais, é uma experiência facilitadora para uma ambiência social de colaboração e afeto, fomentou a autora continuar sua função de coordenar oficinas coletivas com amigos, e neste atual projeto, utilizando a aquarela sobre tecido transparente como técnica, e a linha da vida como referência temática. A obra resultante, mais de 90 trabalhos que serão anexados nos vidros da Galeria Pascoal Carlos Magno, formará um contínuo vitral colorido, transformando este espaço laico de arte num lugar sagrado de exposição da livre criação, de uma estética relacional possível.

A mostra apresentará através de registros fotográficos, relatos e reflexões teóricas, o processo das vivências artísticas.



Divino Laico, texto norteador para as oficinas

Com os conceitos básicos da geometria e três materiais têxteis - o tecido transparente, a tinta pastosa e a aquarela colorida - a abstração da linha da vida é sugerida: iniciando pelo ponto - unidade solta no plano - interseção no espaço. O corpo não ocupa dois lugares ao mesmo tempo.

A linha - sequência de pontos, caminho, rota, escolha de direção, infinitas escolhas com micro e macro decisões - são pontos formando a linha, são pontos formando a linha, são passos formando um caminho de vida, no tempo e no espaço, sobre o plano do tecido.

A tinta para expressar a linha da vida é pastosa, preta e gráfica; não migra e nem se espalha. Representa o sujeito uno, guarnecido pela pele que o separa do mundo, que não é o seu corpo.

O contraste do preto da tinta sobre o branco do tecido, propõe uma linha que corta o plano, decidindo enquanto está percorrendo com a mão sobre o tecido, qual a expressão mais afinada do que consideramos ser nosso percurso vivido. Decisões nem sempre racionais, desenhos resultantes de precários controles, mãos conduzidas pelo coração, pelo sexo, pela razão, por desejos indecifráveis.

Não há projeto, é uma experiência partindo de uma iniciativa, é o aqui e agora em movimento, e por isso não há erro.

O que está feito está posto, sem concertos, e sim, infinitas camadas possíveis de novas formas. Repetir infinitamente, nunca no mesmo espaço e tempo, nunca o mesmo. A vida não tem edição.

Leila B.

Graduou-se em Gravura pela Escola de Belas Artes da UFRJ em 1984, especializou-se em Design de Moda no CETIQT – SENAI em 1986 e em Arteterapia na Saúde e Educação pela Universidade Cândido Mendes em 1999. Como gravadora, freqüentou durante seis anos a Oficina de Gravura do Ingá e participou de diversas coletivas, destacando a 5º Mostra Anual de Gravura da Cidade de Curitiba, 1982 e a Geração 80 na Gravura, 1984 no Parque Lage. Como pintora, aprofundou pesquisas com pigmentos naturais e suportes alternativos em ferro e malha, apresentando estas obras em exposições individuais e coletivas no Rio, Niterói e Tiradentes – MG. Como designer têxtil, desenvolve e executa estampas e pinturas para cenografia, figurino, moda e decoração desde 1993, tendo como destaque o cenário para o Projeto Maramar, no Teatro Nacional de Brasília em 2000, e a exposição “Panos e Letras” com os poemas da compositora Ana Terra em 2002.

De 2004 a 2006, concebeu e coordenou em seu ateliê o projeto de intervenção artística e coletiva Mosaico do Lugar nas escadarias da Rua Oscar Pereira em Charitas, sendo contemplada em 2005, com o prêmio Cultura Nota 10 da Secretaria de Cultura do Estado do Rio e em 2008 com o prêmio Urbanidade do IAB – Instituto dos Arquitetos do Brasil. Em 2009 defendeu a tese “A questão da autoria na intervenção artística em espaço urbano” no Mestrado em Ciência da Arte da UFF, tendo o Projeto Mosaico do Lugar como objeto de sua pesquisa. Desde 1999 ministra as disciplinas de Moulage, Modelagem, Desenho de Estamparia e Tecnologia Têxtil no curso de graduação de Design de Moda da Universidade Salgado de Oliveira.

Exposição Divino Laico: A Estética Relacional na Arte Coletiva
Abertura: 20 de março de 2011, domingo, às 10h
Período de visitação: 21/03/2011 a 03/04/2011
Entrada Franca
Local: Centro Cultural Paschoal Carlos Magno - Galeria Quirino Campofiorito
Endereço: Rua Lopes Trovão, s/nº, Icaraí
Tel.: (21) 2610-5748

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Publicado em 10/06/2013

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