Compositora, cantora, preparadora vocal e escritora, Suely Maria Brigieiro Mesquita nasceu no Rio de Janeiro e viveu por 20 anos em Niterói. Formou-se em Psicologia pela PUC-Rio (1982) e, em sua formação musical, estudou com Lúcia Valadão (Canto), Ivan Fonseca (Percepção, Teoria Musical e Solfejo), Evandro Rosa (Piano) e Bia Paes Leme (Harmonia), entre outros.

Até a década de 1980, participou de diversos corais, com destaque para o “Coro Come”, com regência de Eduardo Lopes. Em 1986, criou, com o cantor Dida Forasteiro e o pianista Carlos Fuchs, o trio “Tricot” e, no ano seguinte, com a cantora Arícia Mess, formou a banda "Pretapagã". Integrou ainda, com o guitarrista André Protásio, o duo “Melodia Americana” e, com o compositor, produtor e guitarrista Rodrigo Campello criou, em 1999, a banda RecoRock, que participou do Projeto Novo Canto, no Rio de Janeiro, tendo como madrinha Fernanda Abreu.

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Dedicou-se significativamente à atividade de composição, sozinha e com vários parceiros, entre os quais se destacam: Rodrigo Campello, Mathilda Kóvak, Luís Capucho, Pedro Luís, Paulo Baiano, Rodrigo Campello, Betti Albano, Kali C., Germana Guilherme, Fred Martins, Glauco Lourenço, Chico César, Zeca Baleiro, Celso Fonseca, Arícia Mess, Mário Sève, Kátia B., Lucina e Eugênio Dale, Zélia Duncan, Fernanda Abreu, Zé Rodrix, entre outros. Algumas de suas composições foram gravadas por nomes como Fernanda Abreu, Pedro Luís e a Parede, Daúde, Verônica Sabino, Kátia B., Leoni, Celso Fonseca, 14-Bis e Rosana.

Em 2000, compôs, em parceria com o saxofonista Mário Sève, a canção "Imaginária", selecionada para concorrer ao "Festival da Música Brasileira" (TV Globo), na interpretação de Carol Saboya, com arranjo de Antônio Adolfo. Ainda em 2000, foi uma das 78 artistas escolhidas em todo o Brasil pelo projeto “Rumos Musicais”, do Instituto Itaú Cultural, que lançou um CD coletânea em julho de 2001 pela Rob Digital.

Uma das pioneiras no acompanhamento de cantores profissionais em estúdios no Brasil, atuou como preparadora vocal de vários discos, como "O Ovo" (Mathilda Kóvak, Arícia Mess e Pedro Luís, produzido de forma independente; no Brasil pela RioArte/Aion Produções Artísticas e na Europa pela Tangará, 1998), "Astronauta Tupy" (Pedro Luis e A Parede, 1997, Warner/Dubas), "Abracadabra" (Boato, 1998, Warner), "Moro no Brasil" (Farofa Carioca, 1998, PolyGram), "Syang" (1998, Warner) e "É tudo um real" (Pedro Luis e A Parede, 1999, Warner), entre vários outros independentes e demos.

Ainda como preparadora vocal, trabalhou com elencos de atores e bailarinos, sob a direção de Karen Accioly, Tato Taborda e da coreógrafa Paula Nestorov. No musical infantil "Paxá Prajá" (1996), de Mathilda Kóvak e Patrícia Willaume, além da preparação vocal, compôs parte da trilha sonora e assinou, com Pedro Luís, a direção musical do espetáculo.

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Em 2001, iniciou a coluna "Bolsa Nova", sobre música independente, na revista virtual "Edadrebil" e, durante este ano e o seguinte, teve sua música “Domingo e Feriado”, em parceria com Fred Martins, em primeiro lugar por vários meses na Rádio MPB FM, do Rio de Janeiro.

Lançou, em 2002, o CD "Sexo Puro”, com músicas gravadas por seus parceiros Fernanda Abreu, Pedro Luis e A Parede, Fred Martins, Kali C., Kátia B., Paulo Baiano e pelas cantoras Via Negromonte, Eleonora Falcone, Bete Calligaris, Daúde, Verônica Sabino e Rosana. O disco foi produzido por Carlos Fuchs e relançado pelo selo Duncan Discos em 2006. Em 2008, lançou seu segundo CD autoral, “Microswing”, e, em 2014, grava o terceiro, “Dio&Baco”, em parceria com o compositor Eugenio Dale.

Além da carreira como cantora e compositora e de ministrar aulas particulares de canto, Suely participou da criação de diversos movimentos culturais, como o projeto Bolsa Nova, realizado com Mathilda Kóvak; o projeto eXercícios, realizado com a também cantora Kali C.; e a Rádio Sexopuro, junto com Alexandre Porto. Também criou e dirigiu, ao lado de Ryta de Cássia e Arícia Mess, o curso "Microfone - Preparação do Cantor Popular", primeiro no Rio de Janeiro a oferecer uma formação integrada ao cantor popular. O curso atuou de 1988 a 1992.

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Em 1991, participou da fundação do “Grupo de Estudos da Voz do Rio de Janeiro” (GEV), organização sem vínculo institucional integrada por professores de canto, cantores, regentes de coral e professores de percepção musical, que por cerca de cinco anos manteve reuniões semanais para estudar Técnica Vocal, Fisiologia da Voz e outros assuntos.

A partir de 1993, começou a atuar na leitura crítica, redação e editoração dos verbetes da Enciclopédia Barsa relacionados à Teoria e História da Música. Coordenou a criação dos novos verbetes sobre música a serem acrescentados à versão da obra em CD-ROM, em 1999, e escreveu textos para o serviço de pesquisas da empresa, sobre Técnica Vocal e Internet.

Foi assistente e tradutora intérprete da professora Jeanie Lovetri em sua visita ao Brasil em 2010, vindo posteriormente a estudar sob sua orientação. Criou a lista de discussão preparacaovocal, que chegou a ter a participação de mais de 800 membros em todo o Brasil. Chegou a ser membro da Sociedade Brasileira de Laringologia e Voz e da Associação Brasileira de Canto (ABC).

Participou de algumas edições especiais do "Tudo Bem", programa radiofônico sobre música brasileira, produzido por Katrina Geenen e transmitido pela rádio WWOZ, de New Orleans. “Animal”, música sua com Pedro Luís, fez parte da trilha sonora da novela Passione (2010-11) da Rede Globo. Contribuiu também para a trilha sonora do filme “Hora Marcada”, de Marcelo Taranto. O livro Sexo Puro: A Life in Brazilian Song(2010), de Bob Gaulke, apresenta a obra da compositora ao público americano e europeu.


crítica

"Riqueza de construção musical e inteligência poética, humor intelectual e harmonia dos contrastes são traços do disco de estréia de Suely Mesquita, Sexo Puro. (..) Sua polirritmia é tão bem resolvida quanto a malícia é elegante; quanto a ousadia é doce; quanto o sexo é puro. Mas nada é ingênuo. O suíngue de Sapatinho de cristal dá o tom perfeito dessa Cinderela moderna: tem coragem, segurança, determinação". PRISCILA SÉRVULO – REVISTA BRAVO! junho de 2002.

“Misturando com talento pop, bossa, samba, jazz e o diabo a quatro, o CD Sexo puro é uma ótima surpresa". ANTÔNIO CARLOS MIGUEL - O GLOBO, 26 de março de 2002 .

"Estreante experiente, Suely joga com timbres vocais, conceitos rediscutidos e diversidade estilística. Da agressiva Filhote da ditadura à ironia de Aristocracia, Suely advoga a mistura e não a eugenia: ‘Não existe raça pura/na cultura’. Só." TÁRIK DE SOUZA - JORNAL DO BRASIL, 16 de abril de 2002

"Suely Mesquita: nome em ascensão, que vai ganhando espaço entre os criativos da nova geração". MAURO DIAS – O ESTADO DE S. PAULO, 22 de fevereiro de 2002

"Se você gosta de música pop brasileira feita com modernidade e poesia, não perca o show de Suely Mesquita, talentosa compositora e cantora carioca. Suely é dona de obra extensa e sofisticada (...) uma artista completa". CARLOS CALADO – FOLHA DE S. PAULO, 22 de fevereiro de 2002

“Com letras audaciosas e femininas integradas a sofisticadas melodias e harmonias, o primeiro CD da carioca Suely Mesquita, Sexo Puro (independente), mistura com talento pop, bossa, samba e jazz. Lançado em 2002, ele chegou ao público com atraso – ela está na estrada há duas décadas. Mas antes tarde do que nunca, já que é uma ótima surpresa”. ANNETTE SCHWARTSMAN – REVISTA MARIE CLAIRE, setembro de 2004







Publicado em 16/10/2013
Museu Antônio Parreiras