O ano de 2003 representa um marco na vida de Rita Benneditto. Na ocasião, a cantora maranhense, cujo timbre é um dos mais expressivos da nossa música, estreava um show no qual jogava luz sobre aspectos da nossa ancestralidade – e que muito dizem da nossa identidade enquanto Cultura e Nação. O show era o Tecnomacumba e o nome não poderia ser mais apropriado.

No repertório, pontos e rezas ligados às religiões de matrizes africanas mesclados a temas da MPB, de autores como Gilberto Gil e Jorge Ben, em que entidades-símbolos da nossa fé são louvados/evocados. Tudo isso apresentado com arranjos modernos, em roupagem eletrônica, que saía então dos clubes e ganhava de vez as pistas mundo afora. Por uma coisa a artista não esperava: que o show seria apresentado durante 19 anos e não dá sinais de esmorecer. Após dois anos de recolhimento devido a pandemia da Covid que assolou o mundo, 'Tecnomacumba' retorna aos palcos com força e fé. Dessa vez o show acontece na Sala Nelson Pereira dos Santos, em Niterói, dia 21 de outubro às 20h, com participação do artista visual Fernando Mendonça.

Com Tecnomacumba, Rita provou que o elo que une nossa música à eletrônica tem como alicerce o bater dos tambores, cujos ecos reverberam para além dos terreiros, passando pelas patuscadas e rodas de samba que animam os fundos de quintal, nos grandes centros ou nos rincões do Brasil. Acontece que um show é também um organismo vivo. E pulsa. Ao longo desse tempo, Tecnomacumba não se manteve estático. Não em se tratando de Rita Benneditto. O show amadureceu – assim como sua intérprete – e possibilitou a ela experimentar, ousar e, por que não, reinventar-se.

E as transformações são em muitos aspectos. O mais nítido deles talvez seja o repertório, que foi dando lugar a temas e canções como “De mina” (Josias Sobrinho), “Mamãe Oxum" (Domínio Público) e, a mais recente delas, “7Marias”, composição da própria Rita em parceria com Felipe Pinaud e lançada em 2018, quando o show completou 15 anos. Hoje o videoclipe "7Marias" já atingiu a marca de 3,5 milhões de visualizações.

Foto Rogério Von Kruger
Outra das transformações pelas quais o show passou é em relação à sonoridade. A banda Cavaleiros de Aruanda, que acompanha a artista desde a estreia do projeto, conta agora com os músicos Fred Ferreira (direção musical, guitarras e vocais), Fabinho Ferreira (contrabaixo e vocais) e Ronaldo Silva (bateria, programações e vocais).

E Tecnomacumba permanece sendo um manifesto de brasilidade e uma intervenção cultural, que neste ano de 2022, foi referência para o enredo “Fala Majeté - As setes chaves de Exu” da escola de samba campeã do carnaval carioca, a Acadêmicos do Grande Rio. Rita foi destaque na escola no carro alegórico “A boca que tudo come”.

Rita Benneditto

Rita nasceu em São Benedito do Rio Preto, Maranhão. A origem pautou a escolha do novo nome artístico. Projetada como Rita Ribeiro, a artista decidiu adotar em 2012 o nome de Rita Benneditto para homenagear sua cidade natal e seu pai, Fausto Benedito Ribeiro. Rita começou sua carreira em São Luís, aos 15 anos. Morou no Chile em 1986 e lá estudou canto erudito. Na volta ao Brasil, no ano seguinte, ganhou o prêmio de melhor intérprete e o segundo lugar no FUMP (Festival Universitário de Música Popular), de Minas Gerais.

Ao lado de Ney Matogrosso, Milton Nascimento, Zeca Baleiro e Chico César, apresentou-se na noite brasileira do Festival de Jazz de Montreux, na Suíça. Em 2001, foi indicada ao Grammy Awards 43rd, na categoria de melhor álbum de pop-rock pelo CD “Pérolas aos Povos”.

Em 2017, ao lado de Donatinho, Fred Ferreira e Ronaldo Silva, a artista realizou a pré-estreia de “Zabumba Beat”, espetáculo que reverencia os tambores do Brasil. No mesmo ano, Rita dividiu a cena com Jussara Silveira no show “Som e Fúria” e retomou sua face de intérprete intimista com o show “Rita Benneditto convida Jaime Alem”, no qual as interpretações da cantora aparecem emolduradas pelos instrumentos de cordas do maestro, compositor e arranjador.

A cantora estreou, em 2020, seu novo show, “Samba de Benneditto”, no qual mostra seu olhar sobre o samba e os muitos estilos com que ele é executado em diferentes regiões do país. Lançou também o single “Benneditto Seja”, samba com forte influência de ritmos maranhenses. A faixa tem direção musical do maestro Luís Filipe de Lima.

Ficha Técnica

Rita Benneditto - Cantora
Fred Ferreira - Direção musical, guitarra e vocais
Ronaldo Silva - Bateria, programação eletrônica e vocais
Fabinho Ferreira - Contrabaixo e vocais
Participação: do Artista Visual Fernando Mendonça
Daniela Sanchez - Iluminação
Andreas Sepúlveda - Técnico de som
Alessa Fernandes e Amanda Silva - Produção Executiva
Mídia Social e Conteúdo - LB Digital e Conteúdo
Coordenação Geral: Elza Ribeiro


Serviço

Rita Benneditto - Tecnomacumba
Data: Sexta-feira, 21 de outubro de 2022
Horário: 20h
Preço: R$ 100 (inteira) | R$ 50 (meia)
Link das vendas: Sympla
Classificação Indicativa: 12 anos

Local: Sala Nelson Pereira dos Santos
End: Av. Visconde do Rio Branco 880, São Domingos








Publicado em 27/09/2022

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A Sala Nelson Pereira dos Santos