De Thereza Christina Rocque da Motta, "Breve Anunciação" faz temporada até o dia 14 de julho, em Niterói.

Com texto poético, espetáculo transporta o público para a década de 40 e apresenta a discussão de um casal, interpretados por Jean Cândido Brasileiro e Helena Hamam, que tem certeza que se ama, mas quer descobrir como esse amor se manifesta, discutindo como cada um se dá ao outro. A direção é de João Corrêa e os figurinos de época, de Adriana Oliveira e João Corrêa.





"Te amo antes de saber que te amava
O invisível tece a teia em silêncio
e nos prende em seus tentáculos de fera.
Te amava antes de descobrir-te,
pois para amar-te
bastava ser a absoluta falta que preenches.
Teu olhar transformado em palavra,
voz amada e inesperada,
abrindo os sentidos da fala"


Trecho de "Breve Anunciação", primeiro texto para teatro da poeta paulista Thereza Christina Rocque da Motta e o 15.º livro de sua carreira

    Consumar o amor ou comungar o amor?, por Mônica Montone

    O que é que buscamos tanto no outro que não temos em nós? Quais são os nós que tecem a teia do amor? Em tempos de manifestações sociais e protestos políticos, Thereza Christina Rocque da Motta nos presenteia com um respiradouro: Breve Anunciação (Íbis Libris), seu novo livro.

    Um poema de 75 páginas sobre os efeitos colaterais do amor. Sobre o que o amor provoca, convoca e evoca em nós. Um poema que poderia ser uma troca de cartas entre dois apaixonados do século XIX mas que ao mesmo tempo é atualíssimo - porque amar é um verbo atemporal. 

    Sem pieguismos, Thereza Christina Rocque da Motta - poeta e tradutora com mais de dez livros publicados - consegue falar de amor em Breve Anunciação como falam os filósofos, só que melhor, muito melhor: com lirismo. O poema que se desenrola através de um diálogo entre um homem e uma mulher é tão perturbador quanto o próprio ato de amar, porque revela as idiossincrasias do amor, como no trecho abaixo:

    Ele: Mas quando te afastas, mais tenho medo de te perder.

    Ela: Não me afasto tanto que não eu possa voltar. Mas, se eu não me afastar, acreditarás que me tens, e não posso te dar essa certeza, senão me desprezarás.

    Ele: Jamais te desprezaria.

    Ela: Dizes isso agora, pois não tens certeza de me ter. Se te dou esta certeza, te perderei para sempre. A paixão se alimenta da dúvida e da ausência. Tudo o que é permanente fenece.

    Ele: Não morrerás para mim.

    Ela: A única forma de me manter viva é não estar contigo, senão quando não esperas.

    A boa notícia é que o livro virou peça e está em cartaz no Solar do Jambeiro, em Niterói, até 14 de julho.

    É sempre um alento saber que a poesia (de qualidade!) se mantém viva apesar das bombas explodindo nas ruas.

    Nota: Os amantes de Lispector se sentirão menos órfãos ante a leitura de Breve Anunciação de Thereza Cristina.


SERVIÇO
Sábados às 20h e domingos às 19h,
Dias 29 e 30 de junho; 06, 07, 13, 14 de julho
Rua Presidente Domiciano, 195, Ingá
solardojambeiro@gmail.com - 2109 - 2222
Ingressos R$ 20 (meia R$10)

Tags:






Publicado em 02/07/2013

Jourdan Amora é o convidado do Fórum Memória do Jornalismo Quarta-feira, 29 de maio
Solar do Jambeiro: Histórico Leia mais ...