Marvio Ciribelli, pianista, arranjador, compositor e produtor niteroiense, é conhecido pelo seu modo particular de tocar, compor, improvisar e por sua energia durante os shows. Irmão da apresentadora de TV, Mylena Ciribelli, Marvio começou a tocar piano no instrumento comprado para a irmã, ao qual ela dedicou muito pouco tempo e antes que alguém percebesse era Marvio quem estava a dedilhar o teclado.

Com a turma do Arte Final: Renato Franco, Marvio, Giovanni Bizzotto, Rocyr Abbud e Sérgio Nacif. Clique para ampliar
Começou a ter aulas de flauta doce na Orquestra do Instituto Abel de Niterói e dado algum tempo, seu pai, grande apreciador das Big Bands de Tommy Dorsey e Glenn Miller além dos brasileiros Severino Araújo e Zacarias, o presenteou com um orgão eletrônico para o qual direcionou seus estudos dentro da Orquestra. Na escola estudou piano popular com Pedro Motta.

Iniciou seus estudos de piano erudito com Aurélio Silveira, no Conservatório Fluminense de Música, em Niterói. Teve aulas de composição com Armando Quezada, aprimorando sua formação com os pianistas e compositores Antonio Adolfo e Luiz Eça, este sua maior influência musical, com quem aprendeu técnicas do instrumento, assim como improvisação e arranjo. Com Ian Guest, educador musical húngaro, radicado no Brasil, estudou harmonia funcional, percepção e arranjos.

Outra figura importante, não só no rumo da carreira profissional, foi seu primo, o talentoso cantor de estilo próprio, Lúcio Alves. Foi dele que herdou conceitos importantes em relação à conduta musical e de onde tirou coragem para encarar o desafio de ganhar a vida da música.

Sua formação erudita e popular, sempre explorando a criatividade e o improviso, o ajudou a estabelecer um discurso pessoal, um jeito próprio e inconfundível de lidar com música.

Educado e consciente da importância e riqueza de suas tradições brasileiras, utiliza seus matizes e seus processos rítmicos como elemento fundamental de um modo de fazer música compartilhado, de estabelecer uma felicidade coletiva, verdadeira e, sobretudo, coerente. Marvio acompanhou artistas como Bibi Ferreira, Altay Veloso, Chico Batera, Arthur Maia, Nilze Carvalho, Vanessa Rangel, Chamon, Ronaldo do Banodolim, José Tobias, Michael Carney, Alex Malheiros e Mamão (do grupo Azymuth).

Seu primeiro grupo profissional, formado em 1985, chamava-se Arte Final e contava com a participação de Sérgio Nacif (baixo), Giovanni Bizzotto (violão e voz), Renato Franco (sax e flauta) e Rocyr Abbud (bateria). "Foram cinco jovens músicos de formações e personalidades totalmente distintas que descobriram como trabalhar em grupo, entendendo as idéias dos companheiros e ainda... como crescer com a música. Após o final do grupo, alguma loucura ficou comprovada pois os seus integrantes partiram para caminhos completamente diferentes, cada qual levando a nova bagagem", diz Ciribelli sobre o Arte Final.

Além da atividade nos palcos, Marvio também toca seu selo "Mantra" em parceria com sua irmã Mylena Ciribelli, dedicado à divulgação de seus próprios trabalhos e, mais recentemente, incorporando a seus lançamentos o trabalho de outros instrumentistas brasileiros. Mantra é o nome da música e do disco que o projetou no final dos anos 80.

Expondo seu próprio trabalho desde 1987, Marvio Ciribelli gravou 13 discos, vários deles pelo "Mantra", sendo três deles ao vivo, no famoso Festival de Jazz de Montreux, Suíça. O trabalho "Nazareth na Confraria", um dos mais importantes de sua carreira, contou com a participação especial do cantor americano Freddy Cole interpretando a bossa nova "Stay", parceria de Marvio com Marcos Valle, que também toca no disco.

Entre Novembro de 2001 e Março de 2004, Marvio Ciribelli marcou época liderando o projeto "Fazendo o que gosta", responsável pela reunião de músicos de alto nível, todos os domingos à noite, no Bar Orquídea, em Niterói. Por todo este período, o principal objetivo do projeto foi valorizar a música de qualidade, especialmente a música brasileira, reunindo artistas do mais alto quilate e expressão. O Bar se transformou num ponto de encontro de músicos e apreciadores de boa música.

No CD "Autoral", lançado pela Niterói Discos em 2012, Marvio Ciribelli junta 12 composições próprias, inclusive fonogramas gravados no famoso Montreux Jazz Festival (Suíça), aditivados pela participação de talentosos músicos brasileiros como os trombonistas Fabiano Segalote e Johnson de Almeida. O disco também conta, entre outros, com o talento dos saxofonistas Marcelo Martins e Glaucio Martins, dos bateristas Rocyr Abbud e Guilherme Gonçalves, dos percussionistas Dom Chacal e Sidinho Moreira e dos baixistas Rogério Fernandes, Alex Malheiros, Tom Hubbard e Dudu Lima.

Para o jornalista Renato Guima, "Marvio é a cara de Niterói. Ou seja, cabeça, coração e voz antenados com o mundo, sem fronteiras. Tem samba, blues e jazz. Choro também há. Mas o melhor é ouvir a alma gargalhar, querendo dançar."


Com Sérgio Chiavazzoli no Projeto Palco Niterói discos (2013). Clique para ampliar






Publicado em 10/11/2014
Museu Antônio Parreiras