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Carlos Artencio nasceu em Marília em 1950 e aos 12 anos iniciou sua vida profissional como desenhista de arquitetura, canalizando sua aptidão para o desenho em projetos residenciais e industriais. Ainda em Marília, trabalhou no escritório do arquiteto Raymond Trad e como desenhista do Departamento de Planejamento da Prefeitura.

Levando em conta sua experiência profissional anterior, mudou-se nos anos 1970 para o Rio com objetivo de cursar arquitetura. Trabalhou por 14 anos como projetista da empresa IESA - Internacional de Engenharia S.A., no Rio de Janeiro, em projetos de grandes barragens de Furnas. Foi nessa empresa que teve os primeiros contatos e começou a se apaixonar pelo paisagismo.

Na IESA, sob a direção do arquiteto e urbanista Pedro Paulino Guimarães, que nos anos 1960 foi diretor do Departamento de Parques e Jardins do Estado da Guanabara, quando projetou e implantou o Parque da Penha, participou, dentre outros projetos, do paisagismo das Usinas Hidrelétricas de Nova Avanhandava e Porto Simão.

Esses projetos tiveram como objetivo principal a recuperação das áreas degradadas pelas obras de construção das barragens, em uma época em que o discurso do meio ambiente praticamente inexistia.



Por volta dos anos 1980, interessado em desenvolver outras atividades, foi trabalhar no estúdio gráfico Arte Fina, que produzia ilustrações hiper-realistas para as grandes agências do mercado publicitário e onde desenhava agregando método de produção a uma atividade até então artística e muitas das vezes, somente de lazer. O sucesso fez com que o estúdio fosse cada vez mais solicitado pelo mercado, até que com o surgimento dos primeiros computadores gráficos, o trabalho, que era artesanal, perdeu repentinamente a importância, e o estúdio se desfez.

Por volta de 1990 conheceu o paisagista Fernando Chacel, começando ali uma experiência profissional e uma amizade que se estendeu por mais de 20 anos. Inicialmente produzia desenhos dos projetos que seriam apresentados. Mais tarde, passou a participar ativamente dos trabalhos, discutindo e ajudando-o a projetar os jardins para as residencias no Rio de Janeiro e em outros locais do Brasil. Foi responsável pelas visitas técnicas às obras, para solucionar problemas de implantação dos projetos, remanejamentos e plantios.

Foi sócio da empresa CADesign, no Rio de Janeiro, com atividades em projetos de comunicação visual, produção gráfica, apresentação gráfica e desenvolvimento de projetos de paisagismo da CAP - Consultoria Ambiental e Paisagística. De 2003 a 2005, lecionou Desenho e Comunicação Gráfica no Curso de Paisagismo da Escola de Design da Universidade Veiga de Almeida, Rio de Janeiro.



Desde 2010, vem trabalhando em seus próprios projetos, na sua execução e implantação. Realiza ainda outras atividades tais como projetos de ambientações residenciais; pintura de quadros e painéis hiper-realistas de composições de plantas utilizadas em seus trabalhos profissionais; e criação e desenvolvimento de projetos gráficos para os mercados fonográfico, industrial, comercial e cultural.

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Em 1999, Artencio mudou-se com sua mulher, a produtora Maria Braga, para o bairro de São Domingos, em Niterói. Em 2008, adquiriu, no mesmo bairro, as ruínas de um casarão de 1907, tombado pelo município. No restauro do imóvel, Artencio pôde colocar em prática todos os conhecimentos profissionais adquiridos ao longo dos anos. O projeto foi feito pelo próprio paisagista e as obras, que duraram dois anos, foram acompanhadas pelo Departamento de Preservação do Patrimônio Cultural de Niterói (DePAC).

"Essa é a cidade que escolhemos para morar e onde nos sentimos bem. Da janela do nosso apartamento, em frente, a gente sempre imaginava o que poderia fazer com esse espaço", conta Artencio, que foi na contra-mão da maioria das pessoas, que teme comprar imóveis preservados exatamente pela dificuldade de manutenção. A reforma do casarão foi matéria de capa do caderno Morar Bem, de O Globo (09/06/2013).






Publicado em 10/05/2013
Museu Antônio Parreiras