Tombamento estadual em 26/01/1983
Processo INEPAC E-03/18.213/78
Praça da República, s/n – Centro

O projeto de construção da Praça - primeiro D. Pedro II, depois da República - e dos respectivos prédios foi idealizado na administração municipal de Feliciano Sodré, em 1913, com o objetivo de fazer ali o grande Centro Cívico de Niterói.

A construção da biblioteca teve início em 1927, mas questões políticas retardaram as obras, que foram paralisadas, por falta de recursos financeiros, durante cinco anos. Em 1933, o interventor Ary Parreiras providenciou a finalização do prédio. Estava concluído parcialmente em 1934, quando nele se instalou a Academia Fluminense de Letras, permanecendo lá, até hoje. Foi inaugurada festivamente a 15 de março de 1935, nas comemorações do centenário da elevação de Niterói como cidade e capital da província.

Com projeto assinado, oficialmente, pelo arquiteto Lothar Kastrup, sua arquitetura é, porém, atribuída ao italiano Pedro Campofiorito, autor de outras edificações na cidade. Trata-se de obra monumental, assim como os demais prédios da praça.

Leia a biografia de Pedro Campofiorito

O prédio é característico do final do ecletismo com o predomínio de linhas clássicas. O vocabulário arquitetônico clássico pode ser observado nas meias-colunas duplas com capitéis jônicos e portas em arco pleno entre as colunas. Seu tímpano é ornamentado por duas alegorias masculinas apoiadas num livro aberto, em relevo. O telhado é escondido por platibanda sóbria. No segundo piso, as portas abrem-se para balcões com balaústres torneados.

No interior , duas escadas simetricamente opostas levam ao segundo pavimento, onde destaca-se o amplo hall decorado com pilastras e frontões, dois vitrais retratando José Bonifácio e José de Alencar.

Em 1955, o prédio sofreu algumas reformas. Em 1959, o governador Roberto Silveira adquiriu para ela a preciosa biblioteca de Antonio Noronha Santos, emérito pesquisador e historiador. A Sala Matoso Maia, que recebeu esse nome em homenagem ao historiador fluminense José Matoso Maia Forte, guarda em suas estantes obras raras pela antigüidade e pela importância histórica como um raro dicionário jurídico de bolso, escrito em latim e impresso em 1614; o álbum comemorativo do centenário da Independência do Brasil, com fotografias da cidade; ou ainda o exemplar do periódico "A Lanterna - edição especial para Nictheroy", publicado em 1904.

Em 2011, o edifício foi restaurado com intervenções na área interna e externa, retornando as formas originais. Além disso, ganhou um novo conceito de Biblioteca Parque. Em 2017, prefeito de Niterói, Rodrigo Neves, assinou a municipalização do espaço público.

Sendo o prédio integrante do conjunto cívico da Praça da República, foi tombado pelo Instituto Estadual de Patrimônio - INEPAC, em 26 de janeiro de 1983, através do processo E-03/18.213/83.




Fotos de Vivian Rosa





Publicado em 15/03/2013