O Museu de Arte Contemporânea de Niterói inaugura no sábado, 02 de setembro de 2000, a exposição de obras da artista plástica Katie van Scherpenberg. "Feurbach e eu na paisagem" é o título da mostra que reúne 14 pinturas de uma série de trabalhos que começaram a ser realizados em 1993.

A exposição, que possui curadoria de Luiz Camilo Osório e Paulo Herkenhoff, apresenta paisagens criadas a partir de um quadro do pintor alemão Anselm Feuerbach, que Katie recebeu de seu pai.

"A paisagem de Anselm Feuerbach é o trabalho de pintura a que eu tive acesso. Não gosto nem desgosto. O interessante na realidade é o texto de Ludwig Feurberg - seu tio avô - no qual o pensamento é destituído da importância da presença divina. A pequena pintura é uma paisagem de Roma. Talvez uma lembrança", conta a artista, que é paulistana de nascimento.

As obras da artista foram elaboradas através de reagentes químicos distintos como sal, vinagre e urina, jogados sobre finas folhas de metal (cobre ou prata) coladas na tela. Esses materiais são usados por Katie para dar um efeito mais bonito à pintura.

Morte - Sobre "pensar a pintura depois da sua morte", a artista afirma que quando utiliza materiais que se deterioram com o resultado planejado de se transformarem em pigmentos, já está discutindo a morte da pintura. A pintora ainda complementa dizendo que "a morte é uma coisa material e a pintura, por ser um pensamento visível, gera lembranças, discussões, história, cultura, raízes".

Os trabalhos da artista são todos abstratos e constituem o que Katie chama de "paisagens do inconsciente". Todas as suas telas possuem um título batizado pelo que o quadro passa à pintora. "O título é uma intimidade desenvolvida entre o quadro e eu. É a pintura quem me dá seu próprio nome", conta.

As obras da artista fazem uma forte conexão entre passagem e paisagem. A pintora considera que a mostra é em si passageira na paisagem de sua pintura. Katie van Scherpenberg se distingue no cenário da arte pelo permanente tratamento da pintura como processo de problematização do olhar e da tradição artística.

"Detentora do conhecimento ímpar das técnicas da pintura, Katie é uma artista da investigação do fenômeno da pintura e como ela constitui um modo de olhar o mundo", diz o curador Paulo Herkenhoff. Katie se vê como artista da periferia que continua como pintora-artesã. "Há muito tempo escolhi a pintura como instrumento para poder pensar e chegar a um conhecimento, talvez até a algum saber", conclui.

Confira o Catálogo da Exposição





Katie van Scherpenberg Mildrid Catharina van Sherpenberg nasceu em São Paulo, no ano de 1940. Passou parte de sua infância na Inglaterra, retornando ao Brasil com sua família em 1946. Morou na Ilha de Santana situado no Rio Amazonas, até 1973, quando veio definitivamente para a cidade do Rio de Janeiro. Estudou na Inglaterra, Brasil, Alemanha e Áustria.

No Rio de Janeiro estudou pintura com Caterina Baratelli, entre 1957 e 1960. Estudou escultura com George Brenninger na Academie der Bildende Kunst (Universidade Federal de Munique) na cidade de Munique (1961 – 1964), e fez curso de aquarela com Oscar Kokoschka, em Salzburg, Áustria.

Criou, em 1978, ao lado da poeta Geni Marcondes (1916), o Núcleo Experimental de Arte na cidade de Petrópolis, Rio de Janeiro, no qual lecionou até 1984. Desenvolve seu trabalho atual na cidade do Rio de Janeiro e, à partir do final dos anos 1980, se dedica quase exclusivamente ao seu trabalho de pintura, pesquisando a formação da imagem a partir dos materiais.


Serviço:

"Feuerbach e Eu na Paisagem" de Katie van Scherpenberg
Curadoria: Paulo Herkenhoff
Local: Salão Principal
Abertura: 2 de setembro de 2000
Visitação: 2 de setembro a 5 de novembro de 2000

Museu de Arte Contemporânea (MAC)
Mirante da Boa Viagem, s/n – Niterói RJ
Informações: 21 2620 2400 / 2620 2481


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Publicado em 11/11/2014

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