Quem visita a praça de 2.500 m² onde fica o Museu de Arte Contemporânea de Niterói admira uma obra onde a técnica dá expressivo suporte à arte. Foram necessários cinco anos para erguer a estrutura de quatro pavimentos, com 300 operários se revezando em três turnos. Para tanto, foram retiradas 5.500 toneladas de material em escavações e consumidos 3.200.000 m³ de concreto, quantidade suficiente para levantar um prédio de 10 pavimentos.

Com 16 metros de altura, o MAC nasce do chão numa base cilíndrica única de 9 metros de diâmetro que sustenta todo o prédio, ancorada numa sapata gigante de dois metros de altura. Um espelho d’água com 817 m² de superfície e 60 centímetros de profundidade, confere leveza à construção.

A cobertura circular, com 50 metros de diâmetro e área de quase dois mil metros quadrados, recebeu tratamento térmico e impermeabilizante.

A grande rampa externa de concreto vermelho conduz o visitante através de 98 metros de curvas livres no espaço, às entradas dos pavimentos superiores.

Na primeira entrada fica o pavimento de recepção e administração. Logo acima, o segundo pavimento abriga o salão central de exposições envolto por uma varanda circular envidraçada, destinada também a exposições, totalizando uma área de mil metros quadrados, de onde se pode admirar a paisagem panorâmica da Baía de Guanabara.

Os vidros do MAC foram fabricados com exclusividade para o projeto. São 70 lâminas triplex, com 18 milímetros de espessura, na cor bronze. Cada uma das lâminas mede 4,80m de altura por 1,85m de largura. As esquadrias são em perfis de aço e estão inclinadas em 40º em relação ao plano horizontal. Os vidros, super-resistentes, suportam peso equivalente a 20 pessoas. O último pavimento também é destinado a exposições. Os pisos foram revestidos com 3.000 m² de carpete azul.

Descendo ao subsolo o visitante encontra um auditório para 60 espectadores e a área prevista para o restaurante, de onde uma fina janela rasgada horizontalmente ao longo da fachada permite vislumbrar a beleza da Baía de Guanabara. Além disso há central de energia com 800 KVA, bombas hidráulicas, dois reservatórios de água com 6.000 m³ cada.

Todo o museu foi ambientado segundo projeto de mobiliário de Anna Maria Niemeyer. O projeto estrutural ficou a cargo do engenheiro Bruno Contarini, que trabalhou com Oscar Niemeyer em muitas outras obras, inclusive a da revolucionária estrutura da Universidade de Constantine, na Argélia.

A estrutura do MAC é complexa devido ao tipo de obra, solta no ar, com um único apoio central e forma circular. Foi projetada para suportar um peso equivalente a 400 kg/m² e ventos com velocidade de até 200 km/h.

Os projetos de iluminação ambiental e de iluminação monumental são de autoria de Peter Gasper. No salão central de exposições, a claridade proveniente do sistema de luz técnica é aproveitada para iluminação ambiental. As reflexões nas paredes e a luz da clarabóia envolvem a totalidade do ambiente.

O mesmo ocorre no último piso. De dentro da sanca, formada pelo encontro do piso com o teto, insinua-se uma luz indireta, que preenche suavemente o ambiente.

Externamente, o monumento é iluminado por 34 faróis de avião, instalados sob o espelho d’água na base do museu. A iluminação cria entonação espacial e dá ênfase à leveza da estrutura principal. A luz tangencial se prolonga acima do topo e se dirige para o céu.

Para garantir a segurança dos visitantes dia e noite, a rampa que leva ao interior do Museu tem seu contorno delineado por uma réstia de luz balizadora.


Espaços Expositivos

A maior parte das exposições do MAC Niterói é realizada nos seguintes espaços: Salão Principal, Varanda e Mezanino. Além disso, ocasionalmente, a Praça, no pátio externo do museu, e a rampa também são utilizadas para realização de instalações e exposições. Porém, o MAC Niterói apresenta-se aberto a repensar seus espaços, propondo exposições ou instalações fora das galerias internas, incluindo o ambiente virtual como plataforma. O controle climático nas salas de exposição é feito com o acionamento do aparelho de ar condicionado central. Este é ligado às 7h e desligado às 20h.

Salão Principal

Localizado no 2º pavimento, possui aproximadamente 393 m² de área. No salão, a luz ambiental proveniente de uma claraboia artificial é aproveitada para a iluminação das obras expostas nas paredes, sendo complementada por dois círculos centrais de trilhos eletrificados que são responsáveis pela iluminação pontual de esculturas e instalações. As reflexões nas paredes e a luz da claraboia envolvem a totalidade do ambiente. Todos os pavimentos suspensos do museu são revestidos em carpete cinza.

Varanda

Assim como o Salão Principal, a Varanda panorâmica também fica localizada no 2º pavimento do museu, possuindo aproximadamente 298 m². Pela varanda envidraçada a iluminação natural penetra indiretamente. A iluminação técnica se dá na combinação entre a luz de luminárias com dicroicas e a fornecida pelo sistema indireto instalado nos bancos contínuos que circulam todo o ambiente. Assim como os demais ambientes do museu, possui revestimento em carpete cinza.

Mezanino

Localizado no terceiro e último pavimento do museu, possui área total de aproximadamente 700 m². Sendo o Mezanino protegido da luz natural, a iluminação ambiental é fornecida por um sistema indireto com lâmpadas fluorescentes, em calhas formadas pelo encontro do piso com o teto através de uma curva circular contínua, sendo complementada por trilhos eletrificados que são responsáveis pela iluminação pontual.







Artigos

Memórias de Cálculo
por Bruno Contarini
A Janela Aberta para a Baía
por Sandro Silveira



    Curiosidades Técnicas

  • O projeto estrutural ficou a cargo do engenheiro Bruno Contarini, que já trabalhou com Oscar Niemeyer em obras como a da Universidade de Constantini, na Argélia.


  • As escavações feitas no Mirante da Boa Viagem, para a construção da sapata e de todo o seu subsolo, retiraram 5,5 mil toneladas de material, ajudando a aliviar o peso do concreto ali colocado. Foram consumidos na obra 32 mil metros cúbicos de concreto, suficientes para levantar um prédio de 10 andares. Para erguê-lo, trabalharam 300 operários em três turnos durante cinco anos. O MAC tem 16 metros de altura, sua cúpula tem um diâmetro de 50 metros com três pavimentos. A base cilíndrica única, onde está apoiado todo o prédio, tem 9 metros de diâmetro. Para a construção dessa base cilíndrica foi feita uma única sapata, que mede dois metros de altura. Nos prédios convencionais, as sapatas medem aproximadamente 50 centímetros e são, no mínimo, quatro. A estrutura do MAC é completamente segura e tem capacidade para suportar um peso equivalente a 400 quilos por metro quadrado, além de suportar ventos com velocidade de até 200 quilômetros horários.


  • A praça do MAC tem 2 mil e 400 metros de área livre. Já o espelho d’água, localizado próximo a base cilíndrica, mede mil metros quadrados. O salão de exposições tem 1.100 metros quadrados e o auditório, localizado no subsolo, tem capacidade para 60 pessoas.


  • Os vidros do MAC foram fabricados exclusivamente para o projeto. São 70 lâminas, com 18 milímetros de espessura na cor bronze e em modelo triplex. Cada uma das lâminas mede 4,80 metros de altura por 1,85 metro de largura e suporta o peso equivalente a 20 pessoas. A subestação de energia do MAC tem 800 KWA de força. Existem três transformadores, sendo um exclusivo para o sistema de ar condicionado, outro para a iluminação e um terceiro para os demais equipamentos.


  • Para iluminar todo o salão de exposições são necessárias 400 lâmpadas fluorescentes e 200 dicróicas, estas últimas usadas apenas para as obras de arte. No mezanino, são utilizadas 200 lâmpadas fluorescentes e 200 dicróicas.


  • A iluminação externa do MAC é feita com 36 faróis de avião. Cada farol tem 1.000 watts de potência e é importado dos Estados Unidos. O objetivo é tangenciar o prédio para dar a impressão de que o MAC está flutuando 10 metros acima das águas da Baía de Guanabara.


  • O piso interno do MAC é todo em carpete azul. Já na rampa de acesso, que tem 200 metros de extensão, o piso é todo pintado na cor vermelho rubi.


  • A cúpula do MAC recebeu tratamento térmico e impermeabilizante com material altamente resistente e utilizado para proteção dos foguetes da NASA. Esse material tem capacidade de sofrer uma variação térmica de menos 50 graus centígrados a 250 graus centígrados.









Publicado em 15/05/2016

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