Com a curadoria de Reynaldo Roels, o Museu de Arte Contemporânea de Niterói recebe, de 2 de setembro de 1996 a 14 de setembro de 1997, a exposição "Arte Contemporânea Brasileira na Coleção João Sattamini".

Esta mostra, que também marca a inauguração do mais novo espaço cultural da cidade de Niterói, complementada com obras da Coleção MAC (constituída por doações de artistas), pretende oferecer ao visitante um panorama do importante momento de nossa história, sobretudo quando testemunhamos o interesse cada vez maior pela arte brasileira em todo o mundo.

A mostra apresenta 120 peças de artistas como Antônio Dias, Iole de Freitas, Ivan Serpa e Rubens Gerchman, entre pinturas, esculturas e objetos. "A coleção se concentra em obras significativas, realizadas a partir dos anos 1950. Tentei fazer um panorama da arte brasileira desse período, já que o forte são esses 46 anos de arte contemporânea", conta Roels.

A maior parte da montagem segue uma ordem cronológica: começa pelos abstracionismos geométrico e concreto dos anos 1950, passa pela arte engajada da década de 1960, continua com a arte conceitual da década seguinte e entra pela produção da Geração 80 até o momento atual. "Agrupei as obras por movimento, mas em alguns pontos quebrei essa organização para valorizar a arquitetura do museu", explica Roels, que reservou o salão central para trabalhos de grande dimensões.

Nem cálice, nem disco voador. Ao desenhar a silhueta de ar um tanto futurista do Museu de Arte Contemporânea de Niterói, o arquiteto Oscar Niemeyer pensou em outro. desenho. O museu tem uma forma que Niemeyer chamou de flor", conta Dôra Silveira, coordenadora do museu.




Acervo

Com um acervo de cerca de 1.300 peças cedidas ao museu em regime de comodato, a coleção do empresário João Sattamini foi, aliás, o mote para a construção do prédio. Iniciada em meados da década de 1960, quando Sattamini ainda morava na Itália, a Coleção é um dos mais representativos conjuntos de obras produzidas no Brasil nos últimos 50 anos.

O acervo abrange a consolidação da arte abstrata no país nos anos 50 – concretismo, neoconcretismo e abstração informal -; a Nova Objetividade Brasileira, que marca a década seguinte; o experimentalismo dos anos 70, no qual a arte mantém sua posição de resistência à ditadura aqui instalada; a retomada da pintura nos anos 80 sob a influência da redemocratização e a produção mais recente, na qual a diversidade de linguagens ganha novo fôlego.

Some-se a estas a presença de trajetórias independentes desses grandes movimentos, mas que não deixam de ser exemplares, como nos casos de Iberê Camargo, Sérgio Camargo, Paulo Roberto Leal, entre outros.

OVNI no Mirante

Com design intrigante e ar rojado, o Museu de Arte Contemporânea de Niterói começou a ser construído em 1991, no Mirante da Praia de Boa Viagem, a partir de um projeto criado e doado pelo arquiteto Oscar Niemeyer. O primeiro prazo para a entrega do prédio foi a data de abertura da conferência Rio 92. O atraso aconteceu devido a uma pendenga jurídica que envolveu investigações do Tribunal de Contas do Estado. Em 1994, a empresa de Construção responsável marcou para "breve" o fim da empreitada.

Prontas, as obras consumiram um orçamento aproximado de RS 5 milhões. Com formato circular e circundado por vidraças, lembrando um disco voador, o MAC de Niterói tem dois andares para exposições. Reinaldo Roels, curador da mostra "Arte contemporânea na coleção Sattamini", destaca o salão central, que pode ser visto de cima do mezanino. "Vai ser a grande atração do museu, pelo tamanho das obras que pode abrigar, devido à altura do pé direito. A arquitetura do museu, aliás, conduz o espectador de modo quase didático", diz.




A exposição inaugural Arte contemporânea brasileira na Coleção Sattamini, organizada por Reynaldo Roels, em setembro de 1996, mostrou ao público um panorama do que havia de mais relevante na Coleção que, segundo o curador, é "um dos mais significativos conjuntos de arte produzidos no Brasil entre os anos 50 e os anos 1990". A coletiva, que teve duração de um ano, reuniu nomes como Iberê Camargo, Sérgio Camargo, Frans Krajcberg, Lygia Clark, Antonio Dias, Ione Saldanha, Antonio Manuel, Raymundo Colares, Tunga e outros.



Serviço:

"Arte Contemporânea Brasileira na Coleção João Sattamini", coletiva
Curadoria: Reynaldo Roels
Local: Salão, Varanda e Mezanino
Abertura: 2 de setembro de 1996
Visitação: 2 de setembro de 1996 a 14 de setembro de 1997

Museu de Arte Contemporânea - MAC
Endereço: Mirante da Boa Viagem, s/n – Niterói RJ
Informações: 21 2620 2400 / 2620 2481

Tags:






Publicado em 21/07/2015

MAC Niterói abre exposição em homenagem às trabalhadoras do mar De 09 de março a 16 de junho
MAC Niterói aborda jornada pela busca ancestral dos Guarani De 08 de junho a 04 de agosto
'Luzes da Coreia - Festival de Lanternas de Jinju' chega ao MAC Niterói De 9 junho a 25 de agosto
MAC como Obra de Arte ENCERRADA
Ocupações/Descobrimentos Antonio Manuel e Artur Barrio ENCERRADA
Arte Contemporânea Brasileira Coleções João Sattamini e MAC de Niterói ENCERRADA
Detalhes e iluminação que fazem a diferença no trabalho de Magno Mesquita Leia mais ...
No MAC Niterói, "Visões e (sub)versões - Cada olhar uma história" ENCERRADA
Estratégia: Jogos Concretos e Neoconcretos ENCERRADA