Mostra no MAC-Niterói comemora 60 anos de Luiz Aquila e reúne 77 trabalhos criados entre 1978 e 2002, incluindo 28 quadros inéditos

Quase que um banquete de pinturas. Assim pode ser definida, segundo o próprio pintor e um dos artistas plásticos mais respeitados e apreciados do Brasil, a mostra "Luiz Áquila", que o Museu de Arte Contemporânea recebe de 8 de junho a 31 de agosto de 2003.

Com curadoria do próprio artista, a mostra ocupa o Salão Principal e a Varanda do MAC com uma individual de pinturas. A retrospectiva ganha uma obra inédita, uma "tela única", feita especialmente para o espaço do MAC e que dialoga com a arquitetura de Oscar Niemeyer.

Organizada pelo próprio museu, a seleção das 51 obras expostas no salão principal do MAC surpreendeu o artista. "Pela primeira vez posso ver essas telas lado a lado e num salão bastante grande", diz, referindo-se as cinco paredes decoradas com as 46 pinturas em acrílico sobre tela e cinco sobre madeira.

A exposição abrange vários momentos do trabalho de Aquila. Há quadros com fortes contrastes de cores e direções, assim como obras raras em que prevalecem as cores escuras com contraste de valor e alguns momentos de cores vibrantes. Também foram incluídas pinturas mais gráficas com fundo branco.

Dispostas próximas umas das outras, as telas dão a sensação de formarem uma única obra, "É como se fosse uma única tela, elas se interligam, como um grande coral de pinturas", explica.

Intercalados às obras, textos do artista representam momentos de pausa e estímulos para reflexão. Segundo Aquila, esta montagem acumulativa se contrapõe propositalmente à tendência atual de exposições rarefeitas, que valorizam o vazio entre as telas. Na opinião do artista "mais é melhor".




O artista

Luiz Aquila da Rocha Miranda é um artista carioca, nascido em 1943. Em 1959 e 1960, tem aulas de pintura com Aluísio Carvão e de xilogravura com Oswaldo Goeldi. Muda-se para Brasília em 1962, e frequenta cursos no Instituto de Arte e Arquitetura da Universidade de Brasília - UnB como aluno livre. Em 1965, recebe bolsa do governo francês e reside na Cité International des Arts [Cidade Internacional das Artes], em Paris. Nesse ano, viaja para Lisboa, e trabalha na Sociedade de Gravadores Portugueses. Permanece na Europa até 1968, quando volta ao Brasil e torna-se professor de desenho e plástica da UnB, função que exerce até 1972. Em seguida, vai a Londres e estuda gravura na Slade School of Fine Arts.

Em 1978, coordena o Centro de Criatividade de Brasília, um projeto da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura - Unesco, e expõe na 27ª Bienal de Veneza. De 1979 a 1986, leciona pintura na Escola de Artes Visuais do Parque Lage - EAV/Parque Lage, Rio de Janeiro, período em que exerce importante papel na formação dos jovens artistas da Geração 80. Em 1988, torna-se diretor dessa instituição, cargo que ocupa até 1990. Participa da 17ª, 18ª e 20ª Bienal Internacional de São Paulo em 1983, 1985 e 1989. Em 1988, transfere-se para Petrópolis, Rio de Janeiro. Em 1992, o Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro - MAM/RJ e, em 1993, o Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand - Masp realizam mostras retrospectivas de seu trabalho.




O MAC Niterói traz ao público um panorama dos 30 anos da produção de Luiz Aquila, artista contemporâneo que fez opção pela pintura e através dela vem desenvolvendo uma das mais expressivas trajetórias de que se tem notícia na arte recente do país.

A presente mostra ocupa dois espaços do museu e permite ao visitante entrar no universo do artista oferecendo uma perspectiva ampla e renovada de sua arte: no grande salão, a visão simultânea de mais de 50 telas, de períodos e dimensões diversas, dispostas intencionalmente em uma grande pintura e entremeadas de fragmentos de textos, breves depoimentos do artista que, como um fio condutor, dão à narrativa continuidade e pausa, conjunto e particularidade; no espaço externo ao salão, encontram-se obras sobre papel, apresentadas em sequência temporal, indicando desdobramentos e mudanças, na clara intenção de traçar uma abordagem explicativa, quase didática.

Como Aquila não executa estudos para seus trabalhos, o que chama a atenção neste conjunto de pequenas pinturas é justamente o fato de algumas delas representarem o prenúncio de situações que aconteceram mais tarde - matrizes para trabalhos posteriores.

As duas situações, independentes e complementares, permitem ao espectador movimentar-se livremente pelo circuito da exposição e assim percorrer toda a poética de um processo marcado pelo contraste das cores e das formas, pelas tensões espaciais, pela fluência impulsiva do gesto. A intensidade que Luiz Aquila busca extrair destes elementos manifesta-se, em última instância, como a sagração do prazer implícito no ato criativo, no desejo de pintar.

Dôra Silveira
Coordenadora do Mac Niterói


Serviço

"Luiz Áquila no Mac Niterói"
Curadoria: Luiz Áquila
Local: Salão Principal e Varanda
Abertura: 8 de junho de 2003
Visitação: 8 de junho a 31 de agosto de 2003
Ingresso: R$4 (normal) e R$2 (estudantes com carteira).
Crianças até 7 anos e adultos acima de 65 anos têm entrada franca

Museu de Arte Contemporânea - MAC
Endereço: Mirante da Boa Viagem, s/n – Niterói RJ
Informações: 21 2620 2400 / 2620 2481


Tags:






Publicado em 24/08/2023

MAC apresenta 'Cinco convites a um levante', de Alex Frechette De 02 de março a 12 de maio de 2024
MAC como Obra de Arte ENCERRADA
Ocupações/Descobrimentos Antonio Manuel e Artur Barrio ENCERRADA
Arte Contemporânea Brasileira Coleções João Sattamini e MAC de Niterói ENCERRADA
Detalhes e iluminação que fazem a diferença no trabalho de Magno Mesquita Leia mais ...
No MAC Niterói, "Visões e (sub)versões - Cada olhar uma história" ENCERRADA
Estratégia: Jogos Concretos e Neoconcretos ENCERRADA
Exposição "A Caminho de Niterói", no Paço Imperial ENCERRADA
Exposição '!Mirabolante Miró!' no MAC Niterói ENCERRADA