O verão está chegando e, com ele, aumenta o movimento nas praias do litoral brasileiro. Enquanto os banhistas se preocupam com sol, areia e mar, quem se lembra da fauna marinha? Quem pensa em encontrar no litoral de Niterói um cavalo-marinho? Ou um peixe raro em Copacabana? Valorizando estes seres marinhos, o Museu de Arte Contemporânea (MAC) abre espaço para a exposição "Imagens submarinas", do fotógrafo-mergulhador Luiz Fernando Cassino, até o dia 2 de fevereiro de 1999.

São 50 fotos submarinas feitas por Luiz Fernando no litoral brasileiro, mostrando diferentes espécies de nossa fauna. Muito colorido e muitas surpresas é o que o público pode ver na exposição que também surpreendeu o fotógrafo. "Eu não esperava nunca encontrar um cavalo-marinho amarelo na Praia do Forte do Rio Branco, em Niterói", diz Cassino, garantindo que esta é uma espécie raríssima. Um peixe voador na Praia de Piratininga, um peixe vermelho Jaguriçá nas Ilhas Maricás e um peixe Frade em Copacabana são outras imagens que prometem mostrar um pouco de um universo desconhecido para os banhistas. "Normalmente, os brasileiros pensam que tartarugas e cavalos-marinhos, por exemplo, só são encontrados no litoral estrangeiro", diz Luiz Fernando Cassino.

As imagens submarinas registradas pelo olhar fotográfico de Cassino estão montadas na exposição em Duratrans - espécie de transparência, iluminada por trás, que realça as cores da fotografia, que são muitas. São 50 fotos que ilustram diferentes pontos da nossa costa marítima. Florianópolis e Reserva do Arvoredo, em Santa Catarina; Ilha Bela (SP), Angra dos Reis, Copacabana, Niterói, Arraial do Cabo, Búzios, no Rio de Janeiro; Maceió (AL) e não poderia faltar - Fernando de Noronha (PE) foram os locais que tiveram seus litorais registrados pelas fotografias.

Fernando de Noronha, aliás, na opinião do fotógrafo-mergulhador, é o lugar onde se pode fazer os melhores mergulhos, "pela claridade da água e a distância do continente". O arquipélago tem duas grandes atrações para mergulhadores: Pedras Secas - uma laje afastada da ilha e de uma corveta da marinha brasileira naufragada em 83. "Em Pedras Secas, as pedras não têm cor de pedra. Tudo é um multicolorido de peixes e corais", diz o Cassino que também se encantou com a corveta naufragada. "Apesar de não ser natural, ela é muito impressionante e, a 63 metros de profundidade, está numa posição como se ainda estivesse navegando", conta ele, garantindo que a embarcação, além de ter se tornado habitat de várias espécies, ainda tem roupas penduradas nos cabides e remédios nas prateleiras da enfermaria.

Luiz Fernando mergulha desde os 11 anos, mas só em 1997 começou a fazer fotos submarinas. "Na verdade, eu já era um fotógrafo fora d'água", brinca Cassino, que diz ter encontrado neste trabalho uma forma de unir seus dois "hobbies". E uniu mesmo. Tanto que, apesar de só ter 50 fotos expostas no MAC, gastou mais de 150 rolos de 36 filmes registrando a vida marinha, o que fez com que o critério para a seleção das fotos para exposição não fosse a beleza, mas o local onde foram feitas. "Porque tudo é muito bonito", garante Cassino, modesto, "por isso o critério teve ser o local onde as fotos foram feitas, para que se pudesse ter um panorama do nosso litoral".

Dificuldades e riscos no litoral brasileiro

Quem vê o resultado das sessões de fotos, com tantas belas imagens, talvez não imagine as dificuldades que o fotógrafo encarou para fazê-las. A maior delas não foi a profundidade que Cassino teve que atingir - a maioria das fotos foram feitas até 20 metros - mas a quantidade de nutrientes (zooplâncton) que impossibilitam uma visão nítida. Mesmo onde a água é muito clara, com a proximidade dos rios, é difícil ter nitidez. "Para que não prejudicasse a fotografia, eu modificava o ângulo", diz Cassino. Mas não só plânctons atrapalharam o trabalho do fotógrafo. As impurezas em certas regiões é grande. "No Rio e em Niterói, que sofrem com os detritos que saem da Baía de Guanabara, a impureza é tanta que eu não podia tocar no fundo do mar. Se tocasse, levantava toda a sujeira do fundo e não poderia fazer a foto", diz Cassino.

Outra dificuldade foram os riscos de se ficar horas submerso. "Mas eu nunca mergulho afirma Cassino, que, além de buscar o ângulo e o momento certo para cada foto, ainda se equilibra com seus equipamentos: uma câmera em caixa de estanque, flash, lentes e microlentes. Riscos não faltam. O maior sufoco que Luiz Fernando passou foi na Ilha Grande, em Angra dos Reis. "Estávamos dentro de uma caverna e não conseguíamos achar a saída por causa da escuridão e da poeira. Até que percebemos que a boca da caverna, que tinha cerca de um metro, estava fechada por uma tartaruga de mais de 200 quilos. Mas foi só encostar, que ela saiu", lembra Cassino.

Caçador de Imagens

Luiz Fernando Cassino tem 30 anos e começou a mergulhar aos 11, fazendo caça submarina. Instrutor de mergulho, descobriu a fotografia subaquática em 1997 e atualmente é vice-campeão brasileiro de foto submarina. No ano que vem vai representar o país em uma campeonato mundial, que será em Hurgada, no Egito.

Apesar dos prêmios, Luiz Fernando não planejava fazer uma exposição individual. Mas foi incentivado por Ronaldo Ruffino, do Kodak Professional, e impôs uma condição: a mostra seria em sua cidade, Niterói. Luiz Fernando logo pensou no MAC e explica: "O museu é uma referência, recebe muitos visitantes e é cercado pelo mar". O cenário era perfeito e a mostra foi aprovada.

Membro do Conselho Nacional de Foto e Vídeo Subaquático, Luiz Fernando mostra toda sua paixão pela nossa atividade. "Como fotógrafo submarino continuo mergulhando e ainda registro imagens belíssimas", justifica. Lembrando que a fotografia é a arte de desenhar com a luz, Luiz Fernando sente-se perfeitamente à vontade no espaço da mostra. Quem já se encantou com a beleza do mar que contorna o MAC e sobre o qual o prédio parece flutuar, agora vai descobrir os tesouros guardados em suas profundezas.


Serviço

Imagens Submarinas
Exposição de fotografias submarinas de Luiz Fernando Cassino.
Datas: De 04 de dezembro de 1999 a 2 de fevereiro de 2000
Visitação: de terça a domingo, das 11 às 19h; sábado, das 13 às 21h.
Entrada franca

Museu de Arte Contemporânea de Niterói - MAC
End: Mirante da Boa Viagem, s/nº, Boa Viagem


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Publicado em 14/02/2023

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