Vicente Márcio Proença Pereira nasceu em Niterói no ano de 1942. Concluiu curso técnico de contabilidade no Colégio Santa Bernadeth, Niterói, 1960. É autodidata em sua formação artística.

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No Colégio Militar Ginásio Barão de Paty do Alferes, em Paty do Alferes, onde foi estudar, acabou fazendo amizade com Gonzaguinha e o compositor Paulo Emílio, também alunos. Iniciou a carreira musical aos 17 anos de idade, teve seu primeiro registro como compositor com a gravação de sua canção "A palavra que ficou" por Áurea Martins. Em seguida, teve outras composições de sua autoria interpretadas por Dóris Monteiro, Agostinho dos Santos, Roberto Silva e Cláudia. Em 1964, gravou seu primeiro disco, um compacto duplo lançado pela Mocambo.

Na década de 1970, fez parte do Movimento Artístico Universitário (MAU), ao lado dos velhos amigos Paulo Emílio e Gonzaguinha, além de Aldir Blanc e Ivan Lins, entre outros. O MAU, que no início se resumia a reuniões na casa do psiquiatra Aluízio Porto Carreiro de Miranda e sua mulher, Maria Ruth, na Tijuca, com o tempo ganhou destaque em festivais de música e teve seus integrantes contratados pela TV Globo.

Também nessa época, integrou, juntamente com Eduardo Lage, Flávio Faria e Ana Manhães, o Quarteto Forma, com o qual lançou um compacto duplo e um LP pela Odeon, produzidos por Mariozinho Rocha. Ainda nos anos 1970, participou de duas edições do Festival Internacional da Canção (Rede Globo) e do Festival Universitário (TV Tupi).

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Ao mesmo tempo em que seguia com os seus projetos musicais, o niteroiense ingressou no serviço público como funcionário do antigo Departamento Nacional de Estradas de Rodagem (DNER). No fim dos anos 70, a convite do maestro Eduardo Lages — com quem tinha trabalhara do grupo vocal Quarteto Forma — entrou para a orquestra de Roberto Carlos.

Ainda na década de 1980, lançou os LPs "Marcio Proença" (1981), com a participação de Lucinha Lins, Aldir Blanc e Gonzaguinha, e "Eterno diálogo" (1984), este último com a participação de Lucinha Lins e Nana Caymmi.

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Na década de 1990, apresentou-se nos seguintes espaços: Teatro da Universidade Federal Fluminense (Niterói), em 1994, com Paulo César Pinheiro; Vinícius Piano Bar (RJ), em 1995, com Moacyr Luz e Aldir Blanc; Jazzmania (RJ), em 1996, com Sueli Costa e Paulo César Pinheiro; Canecão (RJ), em 1997, no show de lançamento do CD de Aldir Blanc; Teatro da Universidade Federal Fluminense (Niterói), em 1999, com Ivor Lancellotti, no show "Encontro de parceiros musicais de Ivor Lancelloti e Marcos Lima".

Em 2004, gravou pelo selo Niterói Discos, o CD Facho de Luz, produzido por João Carlos Carino. O disco contou com a participação de Leila Pinheiro, Simone Guimarães, Paulo César Pinheiro, Guinga, Ivor Lancellotti e Beth Carvalho, além de José Luiz Lopes, seu parceiro em todas as composições do disco: "Delírio", "Que bom seria", "Gosto de batom", "Um pouco mais canção", Bons momentos", "Já foi, mas volta", "Marcas do passado", "Um mal de amor", "Avassalador", "É bom, mas é ruim", "Cilada fatal" e "Atitude".

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Em 2014, o artista lançou no Teatro Municipal de Niterói, o álbum Retrato Cantado, que reúne, em CD e DVD, 10 composições jamais gravadas por Proença, com direito a solos exclusivos de 14 violões. Novamente lançado pela Niterói Discos e produzido por Carino, com o apoio do Instituto Memória Musical Brasileira (IMMuB), o trabalho faz uma justa homenagem a esse grande compositor, que já teve temas cantados por nomes de peso da música brasileira como Nana Caymmi, Gonzaguinha, Lucinha Lins, Beth Carvalho, Cauby Peixoto, entre muitos outros. O repertório do show inclui as músicas como: "Pare de me arranhar, "Retrato Cantado", "É Feio”, "Vício de amor" e "Niterói". O show teve participações especiais de Leny Andrade, Danilo Caymmi, Aurea Martins, Marcus Lima e Adriana Ninsk. Participaram também os violonistas Ricardo Gilly, que assina os arranjos, Charles da Costa e João Camarero.

É autor de mais de 100 músicas gravadas, tendo entre seus principais parceiros Paulo César Pinheiro, Aldir Blanc, Ivor Lancellotti, Marco Aurélio, Paulo Emilio, Cartier, Nei Lopes, Sergio Natureza, Guanieri e Gonzaguinha. Constam da relação dos intérpretes de suas canções artistas como Marília Medalha, Agostinho dos Santos, Dóris Monteiro, Ed Lincon, Wanderléa, Gonzaguinha, Lucinha Lins, Marília Medalha, Nana Caymmi, Pery Ribeiro e Luiz Eça, Simone, Beth Carvalho, Cauby Peixoto, Aldir Blanc, Zé Luiz Mazzioti, Célia Vaz, Roberto Silva, Leny Andrade e Romero Lubambo, Cristina Buarque, Danilo Caymmi, Agepê e o grupo MPB-4, entre outros.

Márcio Proença faleceu em Niterói, em 21 de maio de 2017. Leia Niterói presta homenagem a Márcio Proença.
    crítica

    "[...] eu o vi pela primeira vez lá pelos idos de 1966, cantando e tocando violão em shows de bossa-nova em universidades. E me impressionou logo, pelo bom gosto do violão, das músicas e da voz calma e afinada. Um lírico por natureza, romântico e tranquilo. Um grande melodista. E de uma coerência incrível. De lá pra cá ele não perdeu nada de sua personalidade musical, formada pelo bom gosto, antes de tudo. E é bom, é relaxante, ouvir Marcio agora, como já era desde aquele tempo". IVAN LINS - 1981

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    "[...] No colégio interno ele era dono do violão e da voz gostosa de se ouvir. Aqui está o resultado de um esforço e eu agradeço ter tido a honra de participar.[...]" GONZAGUINHA - 1981

    "[...] De lá pra cá, ouvi dezenas de músicas do Marcio. Elas são a cara do pai - tensas mas tentando gozar no estupro inevitável, amargas e com um sorriso levíssimo de ironia, definitivas em seu absoluto desprezo aos modismos de grupelhos e cascatas. São músicas bonitas porque verdadeiras. A gente encontra com elas na rua, na hora do cafezinho, como se fossem um amigo querido que inexplicavelmente não vemos há muito tempo [...] O Márcio é o legítimo compositor popular, coisa que muito moleque com verba e campanha publicitária tenta mas não emplaca. Enquanto houver um dancing, alguém pelo golpe dos vinte, enquanto houver saudade, saideira e uma mijada na árvore de madrugada, enquanto a mentira de um esbarrar na sinceridade do outro, enquanto alguém pedir a guimba, enquanto houver um garçon apagando a luz e a possibilidade de uma cena de sangue, enquanto houver garrafa, enquanto houver barril, enquanto houver paixão, um copo e uma dor intensa, vale a rima, alguém há de cantar Márcio Proença.[...]" ALDIR BLANC - 1981







Publicado em 30/11/2016
Museu Antônio Parreiras