O encontro dos artistas Mario Massena e Roberta Dacosta deu origem a exposição que poderá ser vista, a partir do dia 09 de junho, às 19h, no Centro Cultural Paschoal Carlos Magno. Cada artista apresentará cinco trabalhos.

Roberta DaCosta
Parietais são pinturas que remetem a um cenário cuja atemporalidade se instala na própria dimensão do trabalho. Explorando os grandes formatos, Mario Massena desdobra seu discurso pictórico no confronto do rigor construtivo com o lirismo de uma paisagem colorizada, desfocada e fantasmagórica.

As obras, em acrílico sobre tela, de Roberta Dacosta foram produzidas ao longo de 2009 e 2010. A apropriação da técnica implementada pelo Expressionismo Abstrato capaz de produzir uma vacuidade semântica, busca um dialogo em questões relativas a sobreposições de camadas de tinta, utilizando e criando uma harmonia cujo impacto pictórico espelha mais que materiais ou idéias, mas as formas como as duas coisas se relacionam.



Mario Massena

Transitando no espaço diluído entre a figuração e a abstração a série de quatro pinturas em acrílica sobre lona, denominada Parietais, do artista Mario Massena apresenta um complexo diálogo entre esses dois polos. A imagem propondo uma leitura mais poética que narrativa constrói um discurso descontinuo: jogo de representar a própria representação; pintura como território autorizado a produzir imagens autônomas em relação à realidade exterior à obra; crivo restrito da racionalidade construtivista e explosão expressionista do gesto e da cor se interpondo. Tudo isso reflete a busca por uma harmonia oculta alcançada através do equilíbrio complementar entre os elementos opostos.

Nessas pinturas, a configuração do desenho de fundo - uma intrincada composição de curvas e contracurvas em reincidente monotipia - revela a visão de uma flora imaginária, desfocada e fantasmagórica. Não há nesse registro nenhuma relação naturalista. Embora ocupe espacialmente todo o suporte, a figura não é o centro da obra, mas apenas um elemento, um símbolo a serviço de uma construção poética. Em contraponto, uma teia de linhas retas verticais e horizontais em cruzamento, construídas por dobras vincadas e marcadas com precisão, definem uma delicada trama a sobrepor o labirinto de volutas fitomorfas e sugere uma ambiência onírica que aponta para uma atemporalidade silenciosa como um cenário que instaura uma dialética de clareza e mistério em tensão contínua.

No confronto permanente e inevitável entre o tempo e a memória, desde as pinturas neo-expressionistas da década de 80 passando pelas experiências com a materialidade na década de 90, Parietais se diferencia pela capacidade de se afirmar como atualizações de experimentos passados no itinerário do artista. É nessa mediação que se caracteriza o presente na sua obra e revela simultaneamente em sua alquimia uma sistemática comunicação sob forma de um silencioso diário pessoal: trajetória dos artistas de sempre.

Tudo flui e nada permanece
Tudo cede e nada se fixa
(Heráclito)


Local: Centro Cultural Paschoal Carlos Magno
Abertura: 09 de junho (quarta-feira), às 19h.
Visitação: 10 de junho até 04 de julho de 2010
Encontro com o artista: 23 de junho (quarta-feira), às 19h.
Rua Lopes Trovão, s/n°, Icaraí.
Tel.: (21) 2610 – 5748

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Publicado em 01/06/2013

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