Eeste ano de 1998 foi repleto de conquistas na área de preservação do Patrimônio Cultural de Niterói. O apelido “prefeitura velha” dado ao Palácio Araribóia vai virar apenas uma referência à antiga e primeira sede da administração municipal, na Rua da Conceição 100.

Os únicos rastros que a História deixa são os livros, os personagens e as construções. Com esta consciência, a Prefeitura de Niterói está restaurando alguns de seus mais importantes prédios, que já foram palco de lutas, festas e demonstrações de poder.

O Palácio Araribóia - inaugurado em 1910 para sediar a Prefeitura e tombado pelo patrimônio histórico municipal em 1995 - é um dos que encabeçam a lista e, desde janeiro, está passando por obras que pretendem resgatar as suas formas e pinturas originais.

O trabalho de restauração está sendo coordenado pelo artista plástico Cláudio Valério Teixeira, que também foi o responsável pelas obras do Teatro Municipal. De acordo com ele, o Palácio - que sedia a Secretaria Municipal de Fazenda desde a década de 80, quando o Centro Administrativo da Prefeitura passou para o novo prédio, na Rua Visconde de Sepetiba - teve suas dimensões praticamente duplicadas de 1943 para cá e isto dificulta o trabalho de resgate da forma original.

"Nesse período foram feitos diversos cômodos com divisórias que acabaram com prometendo o desenho do prédio", disse Valério. Com as reformas, as janelas do Palácio foram quebradas, os desenhos do teto foram apagados e a pintura das paredes foi substituída por tinta branca. Atualmente, o gabinete do secretário está funcionando no anexo do prédio e o espaço que ele ocupava está completamente em obras, que começaram com a reforma total do telhado, onde foi instalada uma estrutura de ferro. Segundo Cláudio Valério, o prefeito Jorge Roberto Silveira quer que as obras beneficiem o público atendido no primeiro andar, onde serão colocados móveis mais modernos.

Nós buscamos sempre trabalhar com as cores originais na pintura da fachada para deixar o prédio o mais próximo possível de seu antigo visual. Alguns pontos, entretanto, como a instalação de mezaninos, ficarão diferentes das instalações originais, pois visam atender à nova realidade do espaço, que hoje abriga um número de funcionários maior — explica a arquiteta. — É um trabalho sensível, principalmente as intervenções realizadas na fachada do imóvel, que não é pintada há, pelo menos, 20 anos" completa Beatriz Nogueira, uma das arquitetas responsáveis pelo restauro.

Para este trabalho - que deve terminar em meados do ano que vem - a Prefeitura está gastando cerca de R$900 mil. Além de toda a restauração da construção, será instalado um ar-condicionado central, o jardim será remodelado e gradeado e uma das salas abrigará exposições sobre os projetos da cidade. "O objetivo desta mostra é apresentar à população o que está sendo feito com o dinheiro dela", explicou o restaurador.

O Palácio Araribóia é um dos 40 bens tombados pelo município. O seu projeto de restauração foi determinado pelo Conselho Municipal de Patrimônio Cultural da Prefeitura, órgão responsável por estudar as condições de todos os prédios tombados na cidade. Após a conclusão da reforma, o Palácio Araribóia integrará o conjunto de prédios tombados como patrimônio público que foram submetidos a um processo de restauração em Niterói. Entre eles estão o Liceu Nilo Peçanha, a Biblioteca Pública, a Câmara dos Vereadores, além do prédio onde funcionam a 76ª DP (Centro), a Delegacia de Proteção à Criança e ao Adolescente (DPCA) e a Delegacia de Atendimento à Mulher (Deam).

Solar e Forte serão recuperados

O Solar do Jambeiro, no Ingá e o Forte São Luís, em Jurujuba, também são bens históricos que fazem parte da missão do restaurador Cláudio Valério Teixeira. O primeiro - datado de 1872 - já está com as obras bem avançadas. As grades e o telhado já foram recuperados. De acordo com Claudio, o maior desafio é a restauração dos azulejos, que estão sendo importados da Fundação Ricardo do Espírito Santo Silva, em Lisboa. Segundo Cláudio Valério, é importante que se saiba qual será o uso do prédio que está sendo restaura do.

No caso do Solar, o restaurador já foi informado de que a parte superior servirá de gabinete protocolar do prefeito, onde ele se reunirá com os conselhos municipais e receberá visitas importantes. "Isso garantirá o bom uso do prédio, que terá um peso politico importante", disse Cláudio. No andar inferior estarão expostas pinturas de paisagens fluminenses no século XIX e móveis da época, com o objetivo de proporcionar ao público "um passeio pela história".

O jardim e a sala de estar vão servir de espaço para eventos musicais com quartetos de cordas, recitais e apresentações de grupos de música antiga. O Solar do Jambeiro é a única construção do Estado que mantém a arquitetura de chácara urbana. Para as obras de restauração estão sendo usados cerca de R$700 mil dos cofres municipais.

O próximo passo é agilizar as obras no Forte São Luís, que já está com o acesso asfaltado e a iluminação instalada. Até o fim do ano começarão os serviços de consolidação das ruínas e de remoção das raízes criadas entre as pedras. Mais tarde serão construídos banheiros, cafeteria e sala de eventos.

Daniele de Abreu para O Fluminense





Publicado em 04/05/2021