Na imagem de Capa, os casais Hermínia e Pedro Calmon, Magdalena e Gilberto Freyre e Ruth e Roberto Marinho.

(Memória, 10 de agosto de 1984)

"Este Solar que os admiráveis Falkenberg vêm conservando com tanto carinho, é um desafio a todos os brasileiros de hoje, pois não pertence ao Estado do Rio de Janeiro e, sim, ao Brasil total, sensível às belezas do seu passado, sob a forma de casas-grandes maternalmente brasileiras".

Foi com este depoimento, que Gilberto Freyre inaugurou o livro de ouro, após o jantar que o casal Lúcia e Egon Falkenberg abriu os salões do "Solar do Jambeiro", em São Domingos, na última quarta-feira, para homenagear o autor de "Casa Grande e "Senzala".

Os presentes ao acontecimento sociocultural saíram encantados com a fidalguia dos donos da casa, com a beleza e a conservação do solar e com a excelência do jantar, do serviço de David e a música de Silvio Viana. Tudo regado a vinhos maravilhosos e prosas que transformaram Niterói, por algumas horas, na capital da cultura brasileira.

Gilberto Freyre e esposa estavam emocionados com a homenagem no famoso Solar do Jambeiro, de tantas glórias e tradições em nossa terra - verdadeiro patrimônio de Niterói, uma cidade quase sem memória. que ali concentra uma grande parte de sua história.

O sociólogo sentiu-se na própria casa grande de sua criação, ouvindo a explanação de Egon sobre o motivo da reunião. A saudação foi feita pelo magnífico Pedro Calmon, ressaltando a beleza dos antigos solares - como o Jambeiro -, ponto de encontro de intelectuais e sociedade, focalizando com brilho a figura do homenageado.

Freyre agradeceu, considerando Calmon o maior orador brasileiro, mesmo acima de Ruy Barbosa, a quem teve o privilégio de ouvir. Fez ainda um paralelo sobre o verdadeiro significado do Solar do Jambeiro na cultura e tradição desta cidade, patrimônio a ser conservado como joia rara, a mansão ali simbolizada pela expressão verdadeira de "Casa Grande", berço da história colonial.

Por insistência dos presentes, usou da palavra o Prefeito Waldenir de Bragança, felicíssimo em sua oratória e merecidamente aplaudido e cumpri mentado.

Coluna de Rafael Treiger
Entre os presentes. Magdalena com Gilberto Freyre, encantados com a bela noite; Ruth e Roberto Marinho; Hermínia e Pedro Calmon; Maria Eliza e Waldenir de Bragança; Emi e Gilson Montalco; Eliasa e Henrique Sérgio Gregory; Heloisa e Carlos Lustosa; o Cônsul dos Estados Unidos no Brasil Alfonso Arenalles, Carminda e Rubens Falcão; Katti e Manuel Falcão; Maria Amélia e José Cândido de Carvalho; Hélio Bello; Elaine e Ronaldo Pontes; Therezinha e Ivo Zauli; Lúcia com o Reitor José Raymundo Martins Romeo; Lizaura e Carlos Ruas; Maria Cláudia Mesquita e Bonfim; Alfredo Caroggia; Ricardo Cravo Albim; Almirante Max Justo Guedes; e o professor Gilberto Shaudon

A tônica do encontro em torno da mesa do jantar, foi em função da necessidade de preservação de espaços culturais em Niterói. O Solar do Jambeiro, uma expressão viva da intelectualidade brasileira, exemplo a ficar para as gerações futuras.

Os presentes se encantaram com o acervo da família e, contagiados pelas palavras dos brilhantes oradores, estavam efetivamente comovidos por participarem do importante acontecimento.

Lúcia e Egon Falkenberg estão de parabéns pela bonita iniciativa da preservação do Jambeiro, solar que vive e respira nossas melhores tradições.

Nota: E de repente, lembro-me que o Jambeiro foi residência de uma família muito ligada a mim, desde a adolescência. Falo dos Migliora Ribeiro, que, se não sabem, foram proprietários da Fiat Lux. Os Migliora Ribeiro residiram no Solar quando seus proprietário, os Bartholdy, foram para a Dinamarca. De lá escreveram para o patriarca Pedro Ribeiro, perguntando se desejava comprar a bela mansão. Cartas para lá e para cá, a família optou por outra casa, uma linda mansão na Presidente Pedreira, 99. Infelizmente já demolida, na época era talvez a mais bela de nossa cidade.

Por Rafael Treiger, para O Fluminense


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Publicado em 05/05/2021