Mostra reúne 102 desenhos de 37 artistas consagrados, entre eles Anita Malfatti, Di Cavalcanti, Antonio Parreiras, Tarsila do Amaral e Tomás Santa Rosa.

Fora o requinte do prédio, um dos mais importantes conjuntos de azulejaria do século XIX existentes no Brasil, adornado pela natureza, sob árvores, flores e pássaros, quem visita o Solar do Jambeiro ainda podes visitar, a partir de hoje, 01 de outubro de 2002, a exposição "Arte brasileira sobre papel - séculos XIX e XX". A mostra fica em cartaz até 06 de abril de 2003.

Quem visitar a exposição vai poder conferir uma coleção de desenhos poucas vezes vistos no País e, ainda, perceber o quanto o exercício dessa arte foi importante na formação de artistas e na condução de suas opções estéticas, transformando-se em ferramentas imprescindíveis na construção de suas obras.

"No Solar do Jambeiro está concentrado o princípio da exaltação às grandes obras, ao mesmo tempo, que dá ênfase ao paisagismo. É uma espécie de contraponto com o MAC", afirma um dos curadores, Cláudio Valério Teixeira. Os dois outros nomes que fazem parte da curadoria são Maria Elisabete Santos e Max Perlingeiro. Juntos, eles apresentam o desenvolvimento e a técnica de 102 originais de desenhos brasileiros, exibindo trabalhos de 37 artistas.

Dois séculos de artistas

"Rua do Centro do Rio de Janeiro", tendo ao fundo o Convento de Santo Antônio, 1948 - têmpera esípia sobre papel, de N. Desmond (reprodução de jornal)


A cada corredor da mostra, um verdadeiro descortinar de artistas de dois séculos passados, estarão saltando aos nossos olhos figuras de nus feminino e masculino, paisagens, aquarelas, estudos de academia e anatômico. "Arte brasileira sobre papel..." permitirá conhecermos o primeiro contato do artista com sua arte final.

Entre os artistas, estão Guignard, Anita Malfati, Antonio Parreira, Iberê Camargo, Milton da Costa, Antônio Bandeira, Belmiro de Almeida, Ismael Nery, Castagneto, Di Cavalcanti, Cândido Portinari, Cícero Dias, Tarsila do Amaral, Tomás Santa Rosa, Vítor Meireles, Eliseu Visconti, Rodolfo Amoedo, Eduard Hildebrandt, Osvaldo Goeldi, Maria Leontina, Johan Moritz Rugendas, José Fiúza Guimarães, Henrique Bernadelli, N. Desmond, Vicente do Rego Monteiro e outros.

Uma coleção rara

Composição nanquim sobre papel, 1930, de Cícero Dias (reprodução de jornal)
Um dos destaques da mostra será encontrado na coleção de 33 desenhos de Pedro Américo, somando expressões raramente vistas no País, como os "Estudos para Tiradentes esquartejado" além de porte anatômicos e caricaturas. A mostra expõe o importante exercício do desenho na produção e na opção estética de cada artista, reunindo as mais variadas espécies de técnicas, como carvão, pastel, grafite, giz, nanquim, têmpera e sanguínea.

Para Cláudio esta é uma oportunidade de podermos observar o desenvolvimento estético da arte brasileira. Ele destaca Vitor Meirelles e Amoedo, representados pela excelência de seus trabalhos; Eliseu Visconti - um desenho de segmento com fins industriais; Guignarde e Pedro Americo, pelo rico desenho linear; e Portinari com sua forma dramática de conceber em "Tiradentes esquartejado".

O homem e o desenho

Segundo Cláudio Teixeira, desde os tempos remotos, o homem usa o desenho como uma forma de expressão. Muitos foram os suportes que os homens utilizaram para se comunicar: pedras, paredes de grutas, placas de argila, papiro e pergaminho. Graças a esses tipos de linguagem, hoje, podemos pesquisar e constatar os costumes e a cultura de nossos antepassados.

Estes registros confirmam a evolução do homem e sua incessante necessidade de comunicação. "O desenho é a primeira manifestação do homem. Não há vida sem desenho. Qualquer forma que se cria e qualquer linguagem, sempre será necessário o uso do desenho. Mesmo na ausência de um registro gráfico, a humanidade desenha", explica Cláudio.

Os criadores

(E) "Estudo de Anatomia: Mão", 1863 - Carvão e giz sobre pape, de Pedro Américo | (D) "Tiradentes Esquartejado", 1955 - nanquim e lápis de cor sobre papel, de Cândido Portinari. (reprodução de jornal)


Se por acaso encontrarem algum chinês próximo de vocês, por favor, façam reverência. Foram eles, no primeiro século antes de Cristo, os criadores do papel. A Europa levou mil anos, após os chineses, para conhecer o papel e poder substituir o uso do pergaminho, material caro e difícil de preparar.

Atualmente, tudo que está ao nosso redor, como roupas, sapatos, carros, móveis, edifícios e outros, são resultado da alma do desenho aplicado sobre o papel. E por mais que pensem que o papel é um material muito frágil, ele não é, pois é capaz de manter o valor documental, sem atribuir nenhum tipo de conservação especial.

Educação

A exposição ainda agrega uma parte didática. Em duas vitrines, vão dispor ao público os materiais usados pelos artistas na concepção dos trabalhos. Em seguida, haverá um ciclo de conferências sobre desenho e palestras com o tema de conservação.

"Figura masculina", 1869 - Crayon realçado com branco sobre papel, de Vítor Meireles (reprodução de jornal)
"Ainda hoje, o desenho é considerado arte menor ou mero estudo para uma obra definitiva. Há quem veja este milenar suporte como frágil e inadequado ao nosso clima. O desenho, mesmo o mais simples esboço, é sempre denotador das mais íntimas formas expressivas dos artistas", disse Cláudio.

Integridade arquitetônica

Bento Joaquim Alves Pereira, um rico português morador do Rio de Janeiro, foi quem construiu o Solar do Jambeiro, tornando este um exemplar de arquitetura residencial urbana burguesa do final do século XIX. No ano de 1974, o local foi tombado pela Secretaria do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, a pedido de sua proprietária Lúcia Falkenberg.

Em 12 de agosto de 1997, o Solar recebeu a desapropriação pela Prefeitura de Niterói para resguardar sua integridade física e restaurar seus aspectos históricos e arquitetônicos, motivadores do tombamento federal. Sua reinauguração aconteceu em 22 de novembro de 2001. E de lá para cá, o prédio serve de palco para exposições, seminários e cursos sobre preservação e restauração de bens culturais.


'Icaraí, Niterói", têmpera sobre papel, de Henrique Goldschmidt (reprodução de jornal)



SERVIÇO

Exposição: "Arte brasileira sobre papel - séculos XIX e XX"
Datas: De 01 de outubro de 2002 a 06 de abril de 2003
De terça a domingo, das 13h às 18h
Ingressos: R$ 2,00.
Grátis para crianças de até 7 anos e adultos acima de 65 anos.

Local: Solar do Jambeiro
End: R. Pres. Domiciano, 195 - São Domingos, Niterói





Publicado em 07/05/2021
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