O drama, que promete emocionar, retrata a história da perseverante escultora francesa. Apresentações acontecem entre 3 e 4 de maio, às 21h, e no dia 5, às 19h

O espetáculo Visitando Camille Claudel está em curta temporada no Teatro Municipal de Niterói. As apresentações acontecem nos dias 3 e 4 de maio, às 21h, e no dia 5, às 19h. O drama, que promete emocionar o público, retrata a história da perseverante escultora francesa Camille Claudel.

O monólogo, que é totalmente inspirado na vida e na obra da escultora, reconstrói com grande riqueza de detalhes a emocionante trajetória da artista e as passagens que tiveram maior destaque em sua vida: a infância, laços familiares e afetivos, o auge em Paris, a paixão pelo mestre Rodin, a luta para se estabelecer numa profissão masculina e a internação involuntária por 30 anos no manicômio onde passou seus últimos dias.

Para levar ao palco a trajetória percorrida pela escultora francesa, a atriz Adriana Rabelo teve que viajar para a Europa e estudar de forma profunda a vida da personagem.

"Tive a necessidade de ir a Paris percorrer os lugares por onde passou a escultora. As ruas de Paris me levaram àquele universo. O que mais me encantou foi entrar no museu Rodin e conhecer melhor as obras da artista e do escultor francês Auguste Rodin. Lá, conheci Anne Delbèe, que escreveu o livro Camille Claudel, uma mulher. A autora me recebeu bem e disse que eu já tinha pesquisado demais sobre o assunto. Era a hora de fazer como ela, criar minha própria Camille, a partir das cartas, das obras e de minha própria sensibilidade. Foi isso que fiz", ressalta Adriana.

O espetáculo comemora os 70 anos da morte de Camille Claudel e 100 anos de internação da artista no hospital psiquiátrico. A data está sendo comemorada na França com inúmeras atrações.

Com a preocupação de retratar fielmente a gestualidade da personagem, Adriana Rabelo precisou frequentar grupos de psicanalistas e psiquiatras, além de visitar hospícios durante o processo de preparação para a peça.

"Fiquei chocada com as coisas que vi. As pessoas com sofrimento mental merecem maior atenção de suas famílias e mais respeito da sociedade. Foi uma experiência marcante que contribuiu muito para a criação da personagem. Encontrei muitos gestos para a Camille", reforça Adriana, que é atriz e também idealizadora e produtora da peça.

O autor e diretor Ramon Botelho conta como foi montar o texto e a direção da peça.

"Anos atrás, fui ver a exposição das esculturas de Rodin e Camille Claudel aqui no Rio. Foi meu primeiro contato com suas obras. Lembro que sentei no chão e chorei. Fiquei transtornado com tamanha beleza e profundamente marcado pela história de Camille. Eu trabalhava com o diretor Marcio Vianna, que sonhava fazer uma peça sobre ela, mas ele faleceu e o projeto não vingou. Anos depois, estava filmando um curta-metragem com a Adriana Rabelo e a atriz me convidou para escrever e dirigir o espetáculo, então aceitei na hora. Mas eu sabia que não seria uma tarefa fácil. Ficamos um ano pesquisando para construir a peça. Valorizei recursos simples e lúdicos para contar essa história tão dura de modo encantador. Estou feliz com o resultado", conta orgulhoso.

Sobre a artista

A escultora nasceu no interior da França, em 1864. Desde criança, demonstrou habilidade pela arte de esculpir. Seguiu para Paris, incentivada pelo pai e, embora tivesse talento, não contava com o apoio de sua mãe. Na capital francesa, se dedicou aos estudos com o mestre da escultura Auguste Rodin, com quem viveu uma ardente paixão. Era conhecida por ser uma mulher de personalidade forte, com atitudes que fugiam do padrão social observado. A artista encontrou uma intensa resistência no mercado da arte.

Devido à tamanha rejeição, a escultora procurou se exilar em seu ateliê, conseguindo, então, inspiração para produzir suas peças, que possuem grande valor artístico. Sem orientação mental, Camille foi internada em um manicômio, onde passou os últimos 30 anos de sua história. Embora estivesse apta por decisões médicas para o convívio social, lamentavelmente quase não recebeu visitas, nem mesmo de sua mãe. Neste período, a artista não quis esculpir, dedicou-se à escrita, onde colocou no papel toda sua amargura e essência de sua existência. A artista endereçou inúmeras cartas detalhando os dias árduos que passou dentro do manicômio. Camille faleceu em 1943. Apenas na segunda metade do século XX, a história da artista se propagou pelo mundo e sua obra ganhou reconhecimento.

Serviço: O Teatro Municipal de Niterói fica Rua XV de Novembro, 35, Centro de Niterói. Sexta e sábado às 21h e domingo às 19h. Preço: R$ 40. Censura: 14 anos. Mais informações: 2620-1624.

Érika Torres para O Fluminense

Atriz fez um intensa pesquisa que lhe consumiu um ano de vida.


Tags:






Publicado em 22/07/2013

Alice Braga e André Camargo cantam clássicos da MPB no Municipal Quarta-feira, 24 de julho
Beth Zalcman homenageia Helena Blavatsky no Municipal Sexta-feira e sábado, 26 e 27 de julho
Sala Carlos Couto apresenta mostra sobre 'La Belle Époque' De 10 de julho a 30 de agosto
Lenda 'Itapuca' no palco do Teatro Municipal João Caetano Leia mais ...
O Theatro Municipal, que já foi Santa Thereza, completa 140 anos Leia mais ...
Com fotos de Magno Mesquita, Niterói é tema de mostra na Carlos Couto Leia mais ...
Clube Dramático Assis Pacheco estreia no Theatro Municipal Leia mais ...
A Grande Reforma do Theatro Municipal, em 1966 Segunda-feira, 02 de maio de 1966
Theatro Municipal será reinaugurado em janeiro Leia mais ...