Considerados a menor big band do mundo, o trombonista Zé da Velha e o trompetista Silvério Martins se apresentam quinta-feira, 19 de setembro de 2013, às 19h no Teatro Municipal de Niterói. No espetáculo, a dupla apresenta músicas do seu sexto CD Ouro e Prata, comemorando os 50 anos de música de Zé da Velha e 25 da parceria. Nesse trabalho, fazem uma releitura contemporânea de uma levada e de uma elegância que se perderam pelos salões iluminados das gafieiras de outrora.

Poucas parcerias da música brasileira são tão duradouras e profícuas como a do Zé da Velha - apelido ganho ainda muito jovem por ter tocado com a turma da velha guarda do choro e do samba como Pixinguinha, Donga e João da Baiana – e Silvério Pontes. E isso se explica por diversos fatores como o enorme talento musical, o diálogo emocionante e profundo de seus instrumentos, a sonoridade envolvente e intensa que lhes rendeu o apelido de "a menor big band do mundo".

O disco Ouro e prata o sexto da dupla não podia ter um nome mais adequado. É rico, é reluzente, tem peso e representa a nossa grande música em meio à pobreza e a falta de brilho de um mercado excludente com que há de bom. Assim sendo, melhor manter Zé da Velha e Silvério Pontes numa prateleira bem longe dessa gente que não enxerga um palmo à frente do nariz, na melhor das prateleiras: a da nossa alma, a da nossa casa, entre outras riquezas especiais.

Nessa comemoração em forma de disco, a amizade definitivamente tem o seu lugar, e por isso, a dupla se cercou de amigos fraternos, de irmão em harmonia, e fizeram um trabalho diferente dos anteriores a começar pela sonoridade. A presença da bateria de Marcio Bahia e do baixo acústico de Guto Wirtti na maioria das faixas já mostra que o caminho a ser seguido é o da releitura contemporânea de uma levada e de uma elegância que se perderam pelos salões iluminados das gafieiras de outrora.

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O disco - dedicado aos amigos de sopro Paulo Moura, Barrosinho, Márcio Montarroyos e Radegundes - tem participações especiais de mestres de várias gerações como Dominguinhos, Carlos Malta, Paulo Sérgio Santos, o acordeonistas Bebê Kramer e Marcelo Caldi e os violonistas de 7 cordas Leandro Saramago e Rafael Mallmith. É necessário falar também grupo base que há anos acompanha a dupla: o violonista Charlles da Costa, o cavaquinista Alessandro Cardozo, flautista Alexandre Maionese e os percussionistas Netinho Albuquerque e Rodrigo Jesus, com a participação nas Congas de Jakaré. Tudo fera!

Zé da Velha e Silvério Pontes, nessa viagem atemporal pelas gafieiras da vida, nos apresentam um repertório abrangente, mas absolutamente coeso, justamente pelo caminho conceitual proposto. Como pérola primeira temos uma inédita parceria da dupla. "Nas velhas pontes" foi criada em Minas Gerais, no Mercado Municipal de Belo Horizonte, em um papo de assobios. "Casa nova", de Pedroca, que durante muitos anos foi pistonista da Orquestra All-Stars, da Rádio Nacional, foi lançada na década de 1950. Já "Menina moça", a música de Luiz Antônio que fez bastante sucesso na voz de Miltinho, na década de 1960, ganha uma roupagem cubana. "Esquerdinha da gafieira" tem a assinatura de um outro mestre do choro, Altamiro Carrilho, assim como os maxixes "Porque choras"e "Saudades de Guará", de Bonfiglio de Oliveira.

Sivuca tem a sua "Músicos e poetas" regravada em um lindo arranjo com participações de Dominguinhos e Marcelo Caldi, dois brilhantes sanfoneiros de gerações e escolas diferentes. Outro músico reverenciado é o "Rei das cordas" Zé Menezes, que tem sua "Bossa n°1" colorida pelos sopros de Carlos Malta, que dispensa comentários, e por uma das grandes revelações recentes da nossa música, o acordeonista Bebê Kramer.

Outro tesouro que ganha novos ares é o choro "Paraquedista", considerado um clássico dos músicos, aquela canção que sempre surge nos bate-papos dos instrumentistas. O autor, o trombonista José Leocádio, fez parte da primeira formação da Orquestra Tabajara de Severino Araújo. Em 1946, "Paraquedista" foi lançado pela orquestra, em gravação da Continental, em versão instrumental com destaque para seu solo em diálogo com o sax-tenor da lenda Zé Bodega. Esse choro tornou-se seu grande êxito como compositor, sendo regravado no mesmo ano, já com letra, por Jorge Veiga.

Encerrando esse painel multifacetado, o samba-enredo "Aquarela Brasileira", de Silas de Oliveira, ganha uma deliciosa versão instrumental, prova de que essa correria marcheada que vemos hoje em dia na Marquês de Sapucaí já teve melodias memoráveis.


Serviço

Zé da Velha e Silvério Pontes em "Ouro e Prata",
Projeto Palco Aberto
Data: Quinta-feira, 19 de setembro de 2013
Horário: 19h
Duração: 75 minutos.
Ingresso: R$ 60,00 - Comprar
Classificação: Livre

Teatro Municipal de Niterói
Rua XV de Novembro 35, Centro
Tel: (21) 2620-1624

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Publicado em 03/09/2013

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